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EUA revogam visto de Petro após conclamar tropas a desobedecer Trump

Os Estados Unidos revogaram o visto do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, depois que ele pediu publicamente a soldados americanos que desobedecessem ordens de Donald Trump, presidente dos EUA. O anúncio foi feito neste sábado (27) pelo Departamento de Estado, que classificou a atitude como “irresponsável e incendiária”.

Petro participava de protesto em Nova York, paralelo à 80ª Assembleia Geral da ONU, em 23 de setembro, quando declarou: “peço a todos os soldados do exército dos EUA: não apontem seus fuzis contra a humanidade. Desobedeçam as ordens de Trump.” A fala ocorreu em manifestação contra a guerra em Gaza.

O presidente colombiano retornou a Bogotá no sábado e disse ter descoberto a decisão ao desembarcar. Em rede social, afirmou que “não se importa” porque também tem cidadania europeia, que lhe garante entrada nos EUA sem visto.

A crise amplia o desgaste entre Bogotá e Washington. Petro já havia pedido investigação criminal contra Trump por ataques a barcos no Caribe, classificados como ilegais e letais. Em episódios anteriores, resistiu a voos de deportação em aviões militares dos EUA, o que levou Trump a ameaçar tarifas e suspensões de vistos.

Colômbia e EUA são aliados históricos no combate às drogas, mas a relação entrou em turbulência. Neste mês, Washington acusou oficialmente Bogotá de “não cooperar” no combate ao narcotráfico, pela primeira vez em quase 30 anos. Petro respondeu que o país já perdeu milhares de policiais, soldados e civis tentando impedir que a cocaína chegue ao mercado americano.

Petro também rompeu relações diplomáticas com Israel em 2024 e denuncia o bloqueio a Gaza como “genocídio”. Em discurso na Assembleia Geral da ONU, chamou Trump e seus auxiliares de responsáveis por “crimes contra a humanidade” nos ataques recentes no Caribe.

O presidente reagiu neste sábado acusando os EUA de violarem o direito internacional. “O que o governo dos EUA está fazendo comigo viola todas as regras de imunidade que fundamentam o funcionamento das Nações Unidas e de sua Assembleia Geral. Os presidentes que participam da Assembleia têm imunidade completa”, afirmou. Petro ainda comparou sua situação à proibição de entrada do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, também impedido de discursar na ONU.

Segundo Petro, a decisão de Washington é uma retaliação às denúncias feitas por ele contra a política antidrogas americana e à proposta de criar um “Exército de Salvação Mundial” para impedir o genocídio em Gaza. Em manifestação em Nova York, ele chegou a dizer que a nova força internacional deveria ser maior que o Exército dos EUA.

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