O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que Gustavo Petro é um “líder do narcotráfico ilegal” e anunciou o fim imediato de pagamentos e subsídios à Colômbia.
A ofensiva verbal foi acompanhada por um ataque militar a uma embarcação supostamente ligada ao grupo guerrilheiro ELN, elevando a tensão entre Washington e Bogotá a níveis inéditos desde o fim do Plano Colômbia.
O Pentágono, sob comando do secretário de Defesa Pete Hegseth, informou que a embarcação foi destruída na área do Comando Sul (USSOUTHCOM), no Caribe, resultando na morte de três pessoas.
A operação teria mirado um “barco de contrabando de drogas”, embora nenhuma prova tenha sido apresentada.
O governo colombiano reagiu duramente.
O Ministério das Relações Exteriores da Colômbia classificou as declarações de Trump como “uma grave ofensa à soberania e à dignidade do presidente dos colombianos”, prometendo acionar organismos internacionais.
Petro respondeu no X (ex-Twitter): “Colômbia nunca foi rude com os Estados Unidos. Mas você é rude e ignorante com Colômbia. Eu não sou negociante, sou socialista. A codícia é seu combustível, a vida é o nosso.”
Nos bastidores diplomáticos, a avaliação é que o gesto de Trump busca marcar posição eleitoral nos EUA, projetando força contra governos de esquerda latino-americanos.
Washington já havia revogado o visto de Petro no mês passado, após o colombiano participar de um ato pró-Palestina em Nova York.
A suspensão da ajuda externa agrava o isolamento da Colômbia, que vinha sendo um dos maiores destinatários da USAID na região.
O fechamento do programa americano de assistência humanitária este ano foi o primeiro sinal de esfriamento das relações bilaterais.
Organizações de direitos humanos, como a Anistia Internacional, classificaram o ataque naval como “assassinato em alto-mar”.
Juristas apontam possível violação da soberania colombiana e da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.
Cielo Rusinque, chefe de gabinete de Petro, chamou as falas de Trump de “agressão imperialista” e afirmou que “as mesmas táticas usadas para destruir democracias no século XX voltam disfarçadas de guerra às drogas”.
O episódio reacende o debate sobre a militarização da política antidrogas e o papel dos EUA na América Latina.
A Colômbia, sob Petro, tenta substituir o paradigma repressivo por políticas sociais nas regiões de cultivo de coca, mas enfrenta resistência interna e externa.
Para analistas, a crise expõe o risco de uma nova Doutrina Monroe, versão 2.0, em que Washington volta a ditar as regras sobre soberania no continente.
O impasse pode respingar sobre aliados estratégicos, como o Brasil, que mantém diálogo ativo com Petro e tenta equilibrar relações com Trump.
Em resumo, o confronto revela duas visões opostas de mundo: a da força militar e da punição unilateral, representada por Trump, e a da soberania cooperativa e integração regional defendida por Petro.
No meio, a América Latina observa atenta, ciente de que a próxima vítima de sanções pode ser qualquer governo que insista em dizer “não” a Washington.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




