Pentágono prepara ofensiva terrestre limitada no Irã

O presidente Donald Trump passou a avaliar uma escalada que empurra a guerra contra o Irã para uma fase bem mais arriscada. Segundo o Washington Post, o Pentágono prepara semanas de operações terrestres, com incursões de forças especiais e tropas de infantaria, sem desenho de invasão clássica em larga escala.

A revelação saiu neste sábado (28), com um ponto decisivo: a Casa Branca ainda não bateu o martelo. O jornal informou que Trump pode aprovar todos, alguns ou nenhum dos planos. Em resposta ao Post, a porta-voz Karoline Leavitt disse que o papel do Pentágono é oferecer “máxima opcionalidade” ao comandante-em-chefe, não anunciar decisão tomada.

O alvo político-militar dessa nova etapa é claro. Entre as hipóteses estudadas estão ações sobre a ilha de Kharg, peça central das exportações de petróleo iranianas, e incursões em áreas costeiras próximas ao Estreito de Ormuz para destruir armas capazes de ameaçar a navegação comercial e militar.

O movimento não nasce do nada. O Washington Post informou que cerca de 2 mil paraquedistas da 82ª Divisão Aerotransportada já receberam ordem para seguir ao Oriente Médio, com dois batalhões de infantaria e a unidade de quartel-general da divisão. Ao mesmo tempo, o USS Tripoli e elementos da 31ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais chegaram à área do Comando Central dos EUA, reforçando o poder de resposta americana na região.

A contradição política é gritante. Em 20 de março, Trump disse que não colocaria tropas “em lugar nenhum”. Já na sexta-feira (27), o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que os EUA podem atingir seus objetivos sem tropas em solo, mas admitiu que o envio de forças dá ao presidente margem máxima para mudar a estratégia se o conflito exigir.

O problema é que pisar em território iraniano muda a natureza da guerra. Pelos próprios relatos colhidos pelo Post, militares americanos ficariam expostos a drones, mísseis, fogo terrestre e explosivos improvisados, num tipo de operação muito mais difícil de sustentar do que bombardeios e pressão naval à distância.

O custo já começou a subir antes mesmo dessa eventual travessia. A Associated Press informou que mais de 300 militares americanos foram feridos no conflito e 13 morreram até agora. Só o ataque iraniano de sexta-feira (27) à base aérea Prince Sultan, na Arábia Saudita, deixou ao menos 15 americanos feridos, cinco deles com gravidade.

Há ainda o pano de fundo econômico e estratégico. A Reuters registrou que a guerra, iniciada em 28 de fevereiro, já provocou a maior disrupção global de energia já vista, com o Estreito de Ormuz sob forte perturbação e agora com os houthis do Iêmen entrando formalmente no conflito. Levar soldados para dentro do Irã, nesse cenário, amplia o risco militar e alonga o choque sobre petróleo, frete e inflação no resto do mundo.

Se Trump cruzar essa linha, a guerra deixará de ser apenas uma campanha de destruição à distância para entrar na lógica de ocupação pontual, incursão e retenção de terreno. A inferência é direta: quanto mais Washington se aproxima de Kharg e de Ormuz com botas no chão, mais se aproxima também do velho atoleiro que os Estados Unidos juram querer evitar no Oriente Médio.

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