caos-ao-nao-apoiar-pimentel”>Uma fração do petismo curitibano aposta no caos ao não apoiar Pimentel
Não é verdade que o PT de Curitiba, em uníssono, tenha decidido votar em Eduardo Pimentel (PSD) neste segundo turno.
O diretório municipal petista liberou sua militância para fazer a escolha “menos pior”, de acordo com a consciência de cada um.
Uma parcela considerável do PT que prefere “Cris” [Cristina Graeml, do PMB], não por afinidade ideológica, mas porque acredita que, quanto pior, melhor.
Essa fração do petismo curitibano aposta no caos como estratégia para desestabilizar o grupo que está no poder municipal e estadual, sob a liderança do governador Ratinho Junior (PSD).
Segundo o raciocínio desse segmento petista, se o candidato de Ratinho Junior for derrotado na capital no próximo domingo (27), o governador poderá repensar suas ambições políticas e permanecer no cargo até o último minuto.
Sem disputar as eleições de 2026, Ratinho tentaria eleger seu próprio sucessor, evitando dar espaço ao senador Sergio Moro (União) e minimizando o risco de uma devassa em suas duas gestões.
Para o PT que diz Cristina, o caos seria uma certeza tão sólida quanto o fato de a Terra ser redonda.
Portanto, a propaganda de Cristina Graeml não é verdadeira ao insinuar uma aliança entre o PT e o prefeito Rafael Greca para eleger PImentel.
Essa estratégia de um segmento petista, embora arriscada, visa a um rearranjo no tabuleiro político estadual.
Ao não apoiar Pimentel, o PT busca enfraquecer a hegemonia de Ratinho Junior e abrir brechas para futuras disputas de poder.
O caos, nesse contexto, é visto como um catalisador de mudanças.
Duas vagas ao Senado ficariam “abertas”, além da disputa pelas caderias de vice e governador.
No entanto, essa postura também traz riscos.
Ao apostar no “quanto pior, melhor”, o PT pode se distanciar das demandas imediatas da população curitibana, que espera soluções concretas para os problemas da cidade –principalmente na redução da tarifa de ônibus, construção de creches, melhoria no atendimento à saúde, etc.
Além disso, a vitória de Cris pode trazer consequências imprevisíveis para o cenário político local.
A política é feita de movimentos estratégicos, mas também de responsabilidade com o eleitorado.
Essa fração do PT curitibano precisa ponderar se essa aposta no caos trará os resultados esperados ou se pode resultar em um tiro no pé.
Uma vitória de Cristina Graeml, no domingo, pode ser uma aposta pelo caos –segundo um pedaço do petismo curitiano.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




