insulina-com-investimento-bilionario”>Lula impulsiona indústria de insulina com investimento bilionário
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou nesta segunda-feira (7), em Montes Claros (MG), para colocar o dedo na tomada de um projeto estratégico para o Sistema Único de Saúde (SUS). Ele participou do anúncio de expansão da unidade da Novo Nordisk, fornecedora global de insulina e outros medicamentos injetáveis, num dos maiores investimentos da história da indústria farmacêutica no Brasil.
A palavra-chave aqui é soberania sanitária.
A unidade da Novo Nordisk em Montes Claros já emprega 2,65 mil trabalhadores, entre diretos e indiretos. Com o novo plano de expansão, a planta mineira ganhará um laboratório de controle de qualidade, um armazém moderno e novos processos assépticos de produção.
O objetivo? Produzir localmente tratamentos de ponta para doenças como diabetes, obesidade e hemofilia, que hoje ainda dependem de importações caras e instáveis.
Segundo o Planalto, o novo investimento se alinha aos pilares da Nova Indústria Brasil (NIB), com foco na substituição de importações e modernização do parque produtivo nacional. O cronograma prevê conclusão das obras em 2028.
Por trás do investimento bilionário, está uma disputa geopolítica invisível, mas essencial: a capacidade do Brasil de se tornar menos dependente do exterior em tecnologias críticas de saúde.
A reindustrialização do setor, impulsionada por políticas públicas como o Novo PAC, é o pano de fundo desse movimento. Em novembro passado, o vice-presidente Geraldo Alckmin já defendia, com todas as letras, uma “indústria forte e resiliente” para lidar com pandemias como Covid-19 e H1N1.
Lula reforçou o discurso de que o SUS é patrimônio do povo brasileiro e precisa de respaldo industrial interno. Em tom de campanha, voltou a repetir: “Saúde não é gasto, é investimento”.
Já Alckmin, em sintonia, chamou atenção para a criação de um fundo de investimento em saúde — uma parceria entre BNDES, Finep e Instituto Butantan — para financiar iniciativas como essa da Novo Nordisk.
Historicamente, o Brasil viveu ciclos de desmonte da indústria nacional, especialmente a partir da década de 1990. O resultado foi a dependência externa em remédios básicos. Hoje, iniciativas como essa contrastam com a lógica do passado e sinalizam uma guinada rumo à autonomia tecnológica na saúde.
Com a ampliação da planta em Minas, a Novo Nordisk fortalece sua posição estratégica em solo brasileiro — o que deve impactar diretamente a disponibilidade de medicamentos no SUS nos próximos anos.
O governo federal também promete usar a Margem de Preferência em compras públicas, priorizando empresas que fabricam no Brasil.
Os próximos capítulos incluem:
- Redução da dependência de insumos importados
- Geração de emprego qualificado
- Fortalecimento da cadeia produtiva nacional da saúde
Sobre a produção de insulina
O que a Novo Nordisk produz no Brasil?
Principalmente insulina e medicamentos injetáveis para doenças crônicas como diabetes e obesidade.
Qual o impacto da expansão em Montes Claros?
Aumenta a capacidade produtiva, gera empregos e reduz a dependência de medicamentos importados.
O SUS compra medicamentos da Novo Nordisk?
Sim. A empresa é uma das principais fornecedoras de insulina e tratamentos de hemofilia para o SUS.
Quando as obras da expansão estarão prontas?
Segundo a empresa, até 2028, com etapas já em andamento.
Qual a relação com o Novo PAC?
A expansão se insere no Novo PAC da Saúde, que prevê investimentos em laboratórios públicos e inovação industrial.
Mais do que um evento simbólico, a visita de Lula a Montes Claros sinaliza um reposicionamento estratégico do Brasil na cadeia global de medicamentos. O investimento da Novo Nordisk não apenas fortalece o SUS, como também mostra que a neoindustrialização pode — e deve — andar de mãos dadas com a saúde pública.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




