Blog do Esmael, direto de Brasília – O presidente Lula (PT) abriu nesta quarta-feira (13) vantagem de 14 pontos sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entre as mulheres na pesquisa Genial/Quaest, com 42% a 28%, enquanto o recorte masculino deixou a disputa praticamente empatada, com 38% para Lula e 39% para Flávio.
O dado muda a leitura da pesquisa. No cenário nacional de primeiro turno, Lula aparece com 39%, contra 33% de Flávio Bolsonaro. Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) têm 4% cada. Indecisos somam 5%, e brancos, nulos ou eleitores que dizem não votar chegam a 10%.
A Quaest também testou o segundo turno. Lula voltou a aparecer numericamente à frente de Flávio Bolsonaro, por 42% a 41%, mas o resultado configura empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Em abril, Flávio tinha 42%, contra 40% de Lula, também em empate técnico.
O coração político da pesquisa está no recorte por sexo. Entre mulheres, Lula tem uma dianteira que sustenta sua vantagem nacional. Entre homens, Flávio Bolsonaro neutraliza parte desse avanço e impede que o petista transforme a liderança de primeiro turno em folga eleitoral.
Para Lula, o voto feminino virou colchão de segurança. Sem os 42% entre mulheres, a distância de seis pontos no primeiro turno ficaria comprometida. A campanha petista ganha, com esse dado, um mapa objetivo de defesa: mulheres, Nordeste, católicos, eleitores de menor renda e pessoas mais velhas.
Para Flávio Bolsonaro, o problema é igualmente claro. O senador consegue disputar de igual para igual entre homens, pontua melhor no Sul e lidera entre evangélicos, mas ainda enfrenta uma barreira concreta no eleitorado feminino. A diferença de 14 pontos entre mulheres é grande demais para ser tratada como ruído estatístico.
O padrão não apareceu pela primeira vez. Em 27 de abril, pesquisa BTG Pactual/Nexus já mostrava Lula com 45% entre mulheres, contra 31% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Entre homens, Flávio liderava por 42% a 36%. O Blog do Esmael registrou naquele levantamento que o voto feminino seguia como um limite real para o bolsonarismo.
O recorte regional reforça a divisão. Lula marca 58% no Nordeste e 28% no Sul. Flávio Bolsonaro tem seu melhor desempenho no Sul, com 40%, e seu pior resultado no Nordeste, com 26%. No Sudeste, a disputa aparece mais apertada, com 34% para Lula e 35% para Flávio.
A clivagem religiosa também pesa. Lula chega a 48% entre católicos e 25% entre evangélicos. Flávio Bolsonaro faz o caminho inverso: marca 49% entre evangélicos e 28% entre católicos. O retrato confirma uma eleição polarizada por gênero, religião, renda e território.
A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre 8 e 11 de maio. As entrevistas foram presenciais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com 95% de confiança. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-03598/2026.
Há uma consequência direta para 2026. Lula precisa proteger a vantagem feminina sem perder homens para o discurso conservador de segurança, costumes e antipetismo. Flávio Bolsonaro precisa reduzir a rejeição entre mulheres sem romper com o núcleo bolsonarista que lhe dá tração entre homens e evangélicos.
A eleição continua aberta, mas a Quaest entregou uma régua dura para os dois campos. Lula lidera porque as mulheres seguram sua frente. Flávio Bolsonaro segue vivo porque os homens negam ao petista uma vantagem confortável.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




