O senador Sergio Moro (PL-PR), o ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo) e o deputado federal Filipe Barros (PL-PR) realizaram neste sábado (9) um ato de pré-campanha em Maringá. O encontro foi organizado pelo deputado estadual Delegado Jacovós (PL), líder do bloco PL/Novo na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), e reuniu apoiadores, lideranças políticas e representantes de movimentos regionais no Norte do Paraná.
A escolha da data não foi aleatória. Sábado (9) é o aniversário de Maringá, feriado municipal na terceira maior cidade do Paraná em número de eleitores. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), o município tem cerca de 295 mil eleitoras e eleitores aptos a votar nas eleições de outubro.
Moro chegou como principal nome do PL para disputar o Palácio Iguaçu. Deltan, cassado pela Justiça Eleitoral em 2023 e hoje no Novo, aparece como pré-candidato ao Senado. Filipe Barros completa a chapa majoritária desenhada pelo campo bolsonarista para o Paraná em 2026.
O ato ocorreu sob pressão política adicional. Na sexta-feira (8), o Blog do Esmael revelou que Filipe Barros apresentou e depois retirou o Projeto de Lei 4395/2024, que elevaria a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o fundo que protege depósitos bancários, de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, proposta idêntica ao centro da Operação Compliance Zero, que mirou o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Barros não foi apontado como investigado pela Polícia Federal (PF), mas a coincidência legislativa colocou seu nome no debate público às vésperas do evento.
O auditório Dona Guilhermina recebeu cerca de 300 pessoas, enquanto sua capacidade era de 420 lugares. Em política, a lotação de um espaço pesa tanto quanto o discurso: público cheio vira evidência de força; cadeira vazia vira argumento para adversário.
O organizador Jacovós tentou dar capilaridade regional a uma articulação que nasceu em Brasília. A presença esperada do ex-deputado estadual Homero Marchese (Novo) e da ex-vereadora Cris Lauer reforçou o caráter local do ato. Marchese é ligado ao Novo; Lauer foi a vereadora mais votada de Maringá em 2024, com 7.531 votos, mas teve o mandato cassado pela Câmara Municipal.
O evento também expõe a disputa interna no campo conservador paranaense. A chegada de Moro ao PL provocou resistência entre quadros que defendiam a aliança com o PSD do governador Ratinho Junior, que na véspera (8) havia marcado presença justamente em Maringá para a abertura oficial da Expoingá 2026.
O PSD apresentou o ex-secretário da Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, para a sucessão estadual. No entanto, o grupo governista ainda lambe as feridas das disputas internas. Essa contradição é o que Moro tenta ocupar com o movimento de consolidar a chapa antes que prefeitos, deputados e caciques locais negociem com o nome escolhido pelo governador.
A Justiça Eleitoral permite a exposição de ideias e propostas na pré-campanha, mas veda pedido explícito de voto antes do período regular de propaganda. Por isso, o evento foi apresentado como diálogo e alinhamento, não como comício formal.
O Paraná soma 8,4 milhões de eleitores aptos e ocupava a quinta posição nacional em tamanho de colégio eleitoral. Moro, Deltan e Filipe têm nomes conhecidos no estado. O ato em Maringá serviu de teste para medir se esse capital eleitoral se converte em rede real de prefeitos, vereadores e cabos eleitorais, a matéria-prima que vai decidir a disputa quando Ratinho Junior escolher seu herdeiro político.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




