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Moraes autoriza visitas a Bolsonaro e derruba boato de soltura

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou uma nova rodada de visitas a Jair Bolsonaro (PL) na prisão, com cronograma marcado para 11, 14, 18, 21 e 25 de março. Nesta quinta-feira (19), a decisão desmonta a especulação de “afrouxamento” na execução e indica que o ex-presidente seguirá custodiado no regime fechado ao longo de março.

A caneta de Moraes não abriu exceção nem sinalizou mudança de rumo. O que apareceu no papel foi controle: horários, lista nominal, exigência de cadastro prévio de visitantes e comunicação formal ao 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, no Complexo Penitenciário da Papuda.

O despacho é de execução penal e lembra o ponto central que parte da direita tenta empurrar para a torcida: Bolsonaro está cumprindo pena e, por isso, tudo passa por regra, agenda e vigilância institucional. O próprio texto registra que a defesa pediu autorizações e que as visitas dependem de cadastro prévio conforme portarias do sistema prisional do Distrito Federal.

A agenda de março virou um termômetro político. Moraes liberou as entradas de Anderson Luis de Moraes (governo do RJ), da deputada Beatriz Kicis (PL-DF), do assessor José Vicente Santini (governo de SP), do deputado Marco Feliciano (PL-SP) e do senador Rogério Marinho (PL-RN), todas em janelas de 8h às 10h, com duas datas digitadas com erro de ano no documento, mas situadas no próprio calendário de março.

O recado prático é simples: se o STF estivesse preparando “flexibilização”, a sinalização política mais provável seria outra, não um cronograma escalonado de visitas ao longo de março, dentro do mesmo endereço e do mesmo protocolo. Na linguagem do Estado, o despacho diz “seguem as regras”, não “vem novidade”.

Na segunda-feira (16), Moraes já tinha autorizado a visita do deputado Guilherme Derrite (PP-SP), marcada para terça-feira (25), num movimento que virou peça de pré-campanha e busca de selo bolsonarista para a disputa ao Senado em São Paulo. Agora, a fila de março amplia o roteiro e expõe o mesmo padrão: a direita corre para “encostar” no líder preso, enquanto Moraes mantém o rito sob o guarda-chuva institucional.

Bolsonaro, preso e ainda influente no próprio campo, virou ponto de peregrinação e teste de lealdade. Para o STF, o que aparece é execução penal administrada, com carimbo, horário, lista e comando, apesar de líderes da direita terem alimentado expectativa de soltura ao tentar colar o caso Banco Master em ataques aos ministros da Corte.

Com isso, a especulação sobre “afrouxar” a Papuda perde chão onde importa: no despacho. O bolsonarismo pode gritar nas redes, mas a rotina da prisão está escrita, datada e assinada.

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