O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) a visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na prisão, num gesto que, para o pré-candidato ao Senado, vale como foto, bênção política e tentativa de ganhar velocidade na largada da corrida de 2026.
A autorização atende a um pedido da defesa de Bolsonaro e fixa data e janela de horário para a conversa na chamada “Papudinha”, o 19º Batalhão da PM do Distrito Federal, onde o ex-presidente está custodiado, segundo decisão desta segunda-feira (16).
O pano de fundo é eleitoral e nada discreto. Derrite, que deixou a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo no governo Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e tenta se vender como “linha dura”, aparece em terceiro lugar na disputa ao Senado em São Paulo, de acordo com levantamento da Paraná Pesquisas divulgado no último dia 11. No cenário citado, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), lidera com 36,5%, seguido pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), com 31,3%, e Derrite soma 29,9%.
A pesquisa ouviu 1.580 eleitores presencialmente entre 06 e 10 de fevereiro, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais, e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo SP-04650/2026.
Na prática, Derrite vai “chorar as pitangas” no colo do principal cabo eleitoral da direita radical, buscando carimbo de autenticidade bolsonarista e munição para a propaganda, enquanto Bolsonaro preserva o papel de chefe político mesmo atrás das grades, distribuindo aval, cobrando lealdade e reorganizando o próprio campo. Moraes, por sua vez, sinaliza que a execução penal seguirá um rito: visita autorizada, agenda controlada, Estado no comando.
Na quadra paulista, o detalhe que incomoda a direita é que os dois nomes na frente de Derrite, Haddad e Marina, são figuras identificadas com o governo federal e com a agenda ambiental e social, o que obriga o bolsonarismo a buscar um candidato competitivo sem depender só de barulho. A visita, então, vira peça de campanha antes mesmo de começar oficialmente.
Quando um pré-candidato precisa atravessar a porta da prisão para pegar impulso, não é só Derrite que tenta se salvar nas urnas, é o bolsonarismo que procura um rosto viável em São Paulo.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




