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Moro e presidente do PT-PR batem boca após Lula na Sapucaí

O senador do Paraná, Sergio Moro (União-PR), e o deputado estadual Arilson Chiorato (PT-PR) travaram um bate-boca nas redes após a homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Marquês de Sapucaí, no Rio. Na noite de domingo, Lula apareceu por instantes no camarote da Prefeitura e ouviu o público cantar “Olê, olê, olá, Lula, Lula”, cena que virou munição imediata na disputa política.

Moro atacou o desfile da Acadêmicos de Niterói, escola que levou para a avenida um enredo inspirado na trajetória do presidente. Em publicação no X, o senador ironizou que “faltou o carro da Odebrecht e do Sítio de Atibaia” e classificou a apresentação como “deprimente espetáculo de abuso do poder”, sugerindo que teria sido um evento “financiado pelo Governo”. Ainda comparou o ambiente a propaganda estatal, afirmando que “a Coréia do Norte não faria melhor”.

A resposta veio com a agressividade típica da guerra digital que já antecipa 2026. Arilson Chiorato, presidente do PT no Paraná e líder da oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), revidou dizendo que “faltou teu gasto de campanha acima do teto e teus processos no CNJ”, chamando Moro de “juíz politiqueiro” e atacando a Lava Jato, que apelidou de “farsa jato”. No texto, também usou ofensas pessoais e encerrou com ameaça política no tom de contagem regressiva.

Nas eleições de 2022, Moro foi acusado pelo PT e pelo PL de fazer caixa dois e abusar do poder econômico. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o absolveu, mas os petistas recorreram com embargos de declaração na própria Corte.

O embate expõe um ponto central: a Sapucaí deixou de ser só um palco cultural e virou vitrine de poder em ano de eleições. Para a oposição, a homenagem a Lula tenta ser enquadrada como propaganda antecipada e uso político de símbolos públicos. Para o PT, a cena é capital político puro, um presidente ovacionado no maior palco midiático do Carnaval, com reação orgânica de arquibancada, que nenhum marqueteiro consegue fabricar do zero.

No Paraná, a troca de farpas também tem endereço. Moro, eleito senador e ainda associado à Lava Jato, tenta manter seu discurso moralista como marca. Chiorato, à frente do PT-PR e com base militante ativa, aposta no confronto direto para mobilizar o espectro progressista e colar no adversário a etiqueta de juiz que virou político.

Ao criticar Lula e o PT, Moro tenta pegar uma carona no palanque, haja vista que o ex-juiz está de olho no Palácio Iguaçu. Ele é pré-candidato ao governo do Paraná pela federação União Progressista, mas o PP o veta. Por outro lado, Chiorato, que sonha com a Câmara, também tira uma “casquinha” da polêmica.

Na prática, cada frase foi desenhada para viralizar, e viralizou. O vídeo mental é simples: Lula aparece, o público canta, a direita acusa, a esquerda devolve mais duro. A política brasileira entrou na avenida, e ninguém finge mais que não entrou.

No fundo, o que se viu foi menos um debate sobre Carnaval e mais um ensaio geral da campanha: de um lado, a tentativa de reavivar fantasmas de corrupção como atalho narrativo; do outro, a reação que transforma o ataque em combustível para reafirmar liderança popular e denunciar “lawfare” como método.

Quando um senador e o presidente estadual de um partido se engalfinham por causa de um desfile, o recado é direto: a pré-campanha já começou, e o eleitor precisa separar fato, narrativa e interesse. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

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