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Médicos do CIRUSPAR aprovam greve contra corte de direitos no Sudoeste do Paraná

Médicos e médicas do Consórcio Intermunicipal da Rede de Urgências do Sudoeste do Paraná (CIRUSPAR) aprovaram greve administrativa a partir de sábado (9), em reação à proposta de renovação do acordo coletivo apresentada pela direção do consórcio, que, segundo o Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (Simepar), reduz direitos já previstos em instrumentos anteriores.

A decisão foi tomada em assembleia geral realizada nesta terça-feira (5). O movimento não prevê suspensão de consultas, regulações, plantões ou atendimentos de urgência. A categoria afirma que manterá integralmente os atos médicos e os serviços prestados à população pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) no Sudoeste.

A paralisação terá, portanto, caráter administrativo. Na prática, os profissionais deixarão de executar tarefas que não tenham relação direta com o atendimento médico, como a alimentação de formulários eletrônicos usados para estatísticas internas, conforme comunicado divulgado pelo Simepar.

O centro do impasse é a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). A data-base dos médicos é abril. O ACT 2025/2026 disponível no site do Simepar estabelece vigência de 1º de abril de 2025 a 31 de março de 2026, com reajuste de 6% a partir da remuneração de março de 2025.

O sindicato sustenta que, na nova rodada de negociação, a direção do CIRUSPAR ofereceu reajuste inferior à inflação anual. Também afirma que o consórcio tenta retirar o adicional pelo trabalho prestado em feriados e diminuir a indenização da hora de intervalo intrajornada.

Esses pontos mexem no coração da relação de trabalho em serviço de urgência. O acordo anterior prevê plantões de até 12 horas, regras para escalas, adicional de horas extras de 50% em dias normais e 100% em domingos e feriados, além de pagamento referente ao intervalo intrajornada em plantões longos.

O Simepar também acusa a direção do consórcio de tentar firmar acordos individuais com profissionais, fora da negociação coletiva. Para a categoria, essa estratégia enfraquece a assembleia, divide os trabalhadores e reduz a força do acordo coletivo como instrumento de proteção mínima.

A direção do CIRUSPAR não publicou, em seus canais institucionais, uma manifestação pública específica sobre a greve administrativa aprovada pelos médicos. O site do consórcio informa que a estrutura atende 684.363 pessoas no Sudoeste, recebe 4.265 chamadas por mês e realiza 2.259 atendimentos de ambulância por mês.

O recado político da greve vai além da mesa de negociação local. A mobilização nasce em uma área sensível, a urgência e emergência, e ocorre em meio a uma sucessão de ruídos na saúde pública paranaense na reta final do governo Ratinho Junior (PSD).

No Oeste, a crise do Hospital Regional de Toledo (HRT) já vinha acumulando sinais desde janeiro, quando a Prefeitura de Toledo notificou extrajudicialmente o Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Assistência à Saúde (IDEAS), organização social responsável pela gestão da unidade, por supostos descumprimentos contratuais.

A notificação citou interrupções e paralisações comunicadas pela própria gestora, incluindo suspensão de novos agendamentos, fechamento temporário da Central de Esterilização de Materiais, paralisação temporária de tomografias e interrupção de atendimentos em cardiologia. No último sábado (2), a IDEAS anunciou o fechamento temporário do HRT, sob alegação de falta de insumos.

A coincidência entre a crise do HRT e a greve administrativa no CIRUSPAR reforça a crítica de sindicatos e trabalhadores a um modelo que empurra a saúde pública para arranjos precários, terceirizações e disputas contratuais, enquanto profissionais cobram reposição inflacionária e preservação de direitos básicos.

O governo do Paraná tem tratado a terceirização como ferramenta de gestão em diferentes áreas. Em março, a Secretaria da Administração e da Previdência promoveu capacitação sobre contratação, fiscalização e gestão de mão de obra terceirizada no serviço público. O problema, quando se fala em saúde, é que planilha não reanima paciente, não regula ambulância e não segura plantão sem trabalhador valorizado.

Para a população do Sudoeste, a mensagem central da categoria é que o atendimento médico será preservado. Para o poder público, o aviso é outro: quando até quem trabalha na linha de frente do SAMU precisa parar atividades administrativas para defender acordo coletivo, a crise já deixou de ser apenas corporativa e passou a expor a engrenagem política da saúde no Paraná.

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