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Diante do impacto econômico e político iminente do tarifaço anunciado por Donald Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender o caminho do diálogo. Em declaração transmitida na manhã deste sábado (26), Lula disse que o Brasil está aberto a uma solução negociada com os Estados Unidos e sugeriu uma conversa direta com seu homólogo americano.
“Se o presidente Trump quiser conversar, estou pronto para sentar. O Brasil quer comércio, não confronto”, disse Lula.
A sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros entra em vigor no dia 1º de agosto, afetando especialmente o agronegócio, setores de aço, automóveis e manufaturas.
itamaraty-age-nos-bastidores-para-conter-desastre-comercial”>Itamaraty age nos bastidores para conter desastre comercial
A fala de Lula foi acompanhada por movimentos diplomáticos do Itamaraty, que desde quinta-feira (24) tem intensificado contatos com o Departamento de Estado e com representantes comerciais dos EUA. Fontes ouvidas pelo Blog do Esmael relatam que o objetivo é “despressurizar” o ambiente e buscar alguma concessão técnica antes da entrada em vigor das tarifas.
O governo brasileiro também já consultou a Organização Mundial do Comércio (OMC) para avaliar se o aumento unilateral das alíquotas viola regras multilaterais.
Trump quer punir o Brasil, mas Senado dos EUA reage
Embora Trump tenha assumido publicamente a medida como parte de sua política de “reindustrialização forçada”, senadores democratas, e até alguns republicanos, reagiram mal. O senador Bernie Sanders classificou o tarifaço como “bullying econômico”, e o líder democrata Chuck Schumer disse que os EUA “não podem punir parceiros estratégicos por divergência ideológica”.
Essa rachadura interna nos EUA pode dar margem para que o Brasil explore um recuo diplomático.
Por que Trump quer isolar Lula?
Nos bastidores, diplomatas avaliam que a tarifa tem menos a ver com economia e mais com geopolítica. Trump quer pressionar países do sul global a se alinhar com sua agenda conservadora, inclusive na ONU e no FMI. Ao mirar o Brasil, Trump tenta forçar Lula a adotar uma postura mais submissa, ou pagar caro pela independência diplomática que tem exercido.
Setores empresariais pressionam Planalto e Congresso
Associações industriais e exportadores estão pressionando o governo Lula para uma solução imediata. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Frente Parlamentar do Agronegócio já solicitaram reuniões com o Itamaraty. Estima-se que o impacto direto do tarifaço possa ultrapassar R$ 42 bilhões por ano em perdas para exportadores brasileiros.
O líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN), ironizou: “Lula fala em diálogo, mas nem Trump nem o agro querem conversa mole”.
Lula x Trump
A iniciativa de Lula em chamar Trump para o diálogo é um gesto de responsabilidade política, mas também um grito de alerta. O tarifaço é mais do que uma disputa comercial, é uma cartada geopolítica do trumpismo para minar a autonomia do Brasil. O presidente tenta evitar que o país se transforme em refém de um jogo de interesses eleitorais americano. Se a conversa acontecer, será um duelo entre dois projetos de mundo. Se não acontecer, a conta chegará na prateleira do supermercado.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




