Lula abriu fevereiro na frente na disputa de 2026 e, ao mesmo tempo, viu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ocupar com folga o posto de principal nome da oposição, um arranjo que empurra o Centrão e parte do empresariado para a política do “quem tem chance leva”.
Na prática, o petista virou “ativo político” para atrair apoios de partidos a segmentos empresariais, enquanto o PSD do cacique Gilberto Kassab segue como variável decisiva na corrida pelo Planalto.
A pesquisa Real Time Big Data, divulgada nesta segunda-feira (9), coloca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 39% no cenário estimulado e Flávio com 30%. Bem atrás aparece o governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior (PSD-PR), com 10%. Romeu Zema (Novo-MG) marca 3%, Aldo Rebelo (DC) 2% e Renan Santos (Missão) 1%. Brancos e nulos somam 7%, e 8% não souberam ou não responderam.
O segundo lugar vira moeda para alianças
Esse 2º lugar de Flávio não é detalhe estatístico, é força política. Em ano pré-eleitoral, “liderar a oposição” costuma virar passe para atrair palanques estaduais, tempo de TV, apoios regionais e, sobretudo, adesões pragmáticas com a extrema direita.
O bolsonarismo ganha um vetor nacional sem depender de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), que não aparece no levantamento e tem repetido que busca a reeleição em São Paulo.
PSD testado, Kassab ganha poder de veto
O PSD entra como variável porque Gilberto Kassab joga com o tempo e com a estrutura. Quando o instituto troca o nome do partido no questionário, a legenda aparece, mas não rompe a polarização.
No cenário com Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul (PSD-RS), Lula tem 40%, Flávio 32% e Leite 5%. No cenário com Ronaldo Caiado, governador de Goiás (PSD-GO), Lula marca 40%, Flávio 32% e Caiado 6%.
A mensagem é simples: o PSD tem quadros, mas a eleição segue desenhada para ser um duelo entre lulismo e bolsonarismo. Isso aumenta o preço do “apoio” e, ao mesmo tempo, incentiva Kassab a manter portas abertas.
Renda, religião, região: o país dividido reaparece
Nos recortes divulgados, Lula se fortalece entre eleitores de menor renda, enquanto Flávio cresce nas faixas de renda mais alta.
Por religião, Lula lidera entre católicos, e Flávio ganha terreno entre evangélicos. Por região, Lula é mais forte no Nordeste, e Flávio aparece melhor posicionado no Sul.
É a fotografia de um Brasil que continua fraturado por identidade social, fé, território e percepção de futuro.
Espontânea ainda tem oceano de indecisos
Na pergunta espontânea, sem lista de candidatos, Lula aparece com 28% e Flávio com 14%. Jair Bolsonaro surge com 6%. O dado que chama atenção é o volume de “não sabe”, que chega a 31%, além de brancos, nulos e “nenhum”.
Tradução política: há uma massa grande em disputa. Quem conseguir definir agenda, especialmente em economia e segurança, pode deslocar a curva.
Economia com Lula, segurança com Flávio
Nas perguntas de “capacidade”, Lula lidera como o nome mais associado a melhorar a economia. Já em segurança pública, Flávio aparece à frente.
Na vida real, esse é o ponto de tensão que o Planalto precisa enfrentar: inflação, crédito, emprego e renda falam alto, mas segurança virou cobrança diária, sobretudo nas periferias e nas classes médias.
Metodologia e registro no TSE
A Real Time Big Data entrevistou 2.000 eleitores em todo o país, por meio de entrevistas presenciais, entre 06 e 07 de fevereiro de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral é BR-06428/2026.
O que está em jogo de verdade
A liderança de Lula mostra resiliência, mas não autoriza soberba. O segundo lugar de Flávio consolida um polo de oposição com capacidade de aglutinar interesses, e isso tende a endurecer a disputa.
O eleitor vai precisar separar propaganda de projeto. Segurança com direitos, economia com inclusão, combate à mentira organizada e respeito às regras do jogo. Democracia não é detalhe, é condição.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




