O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), sinalizou a aliados que pode disputar o governo de São Paulo e vai jantar com o presidente Lula (PT) nesta quinta-feira (26), movimento que reforça a aposta do Planalto em um palanque forte no maior colégio eleitoral do país.
Nos bastidores, a leitura é que Lula vai tentar “fechar” a equação paulista com Haddad no Palácio dos Bandeirantes, para travar a narrativa bolsonarista no estado e amarrar a estratégia nacional da reeleição.
O núcleo do PT também trata o desenho como avançado. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, tem dado como encaminhado o nome de Haddad em conversas reservadas, segundo a reportagem da Folha.
Haddad, porém, tentou mais cedo baixar a temperatura ao falar com jornalistas. Disse que não conversou com o PT sobre candidatura e que o jantar com Lula ainda não teve pauta antecipada, citando que sua esposa, Ana Estela, vai acompanhá-lo.
O pano de fundo é eleitoral e é financeiro. São Paulo costuma funcionar como “motor” de campanha, e aliados de Lula avaliam que forçar ao menos um segundo turno no estado ajudaria a performance nacional do presidente.
Do lado da direita, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) é apontado como favorito à reeleição e tende a se alinhar ao projeto presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), de acordo com o mesmo relato.
A pressão pública de Lula sobre Haddad não é novidade. Em entrevista ao UOL News, no começo do mês, o presidente disse que Haddad e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) “têm um papel a cumprir” em São Paulo, sinalização direta de que o Planalto quer time completo no estado.
Na prateleira de uma chapa majoritária, o Planalto aponta ainda a hipótese de a ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) e a ministra do Planejamento Simone Tebet (MDB) entrarem na disputa ao Senado por São Paulo, com trocas partidárias e, no caso de Tebet, mudança de domicílio eleitoral. É cenário em discussão, não decisão fechada.
O Blog do Esmael anotou em janeiro que Lula já havia “escalado” Haddad para o Palácio dos Bandeirantes, dentro de uma estratégia mais ampla de palanques próprios em estados-chave, como no Paraná, onde a ministra das Relações Institucionais Gleisi Hoffmann (PT) foi empurrada para uma majoritária. Ela vai disputar o Senado.
O movimento tem cara de método: Lula quer reduzir dependência de alianças voláteis, montar vitrines estaduais competitivas e enfrentar a direita no terreno em que ela mais gosta de mandar, São Paulo.
Portanto, Haddad virou a arma secreta de Lula para o governo de São Paulo.
Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
Leia também no Blog do Esmael: PT admite erro na CPI do Master, Flávio Bolsonaro nega acordão; PT diz ter 90% da campanha de Lula montada; Lula crava reeleição no PT contra o bolsonarismo

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




