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Lula ainda não definiu nome para o STF e mantém mulher no radar

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não definiu quem será o novo ministro ou ministra do Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar de torcidas organizadas por diferentes nomes dentro e fora do governo, o chefe do Executivo prefere manter a decisão em suspenso até seu retorno da viagem à Ásia, na próxima semana.

Segundo apuração do Blog do Esmael em Brasília, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), cotado por aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) não está nos planos de Lula para o STF, embora conserve peso político no Congresso. Lula, na verdade, deseja vê-lo na disputa pelo governo de Minas Gerais em 2026, um estado estratégico para a reeleição presidencial.

Esse projeto, no entanto, foi atravessado pela movimentação recente do vice-governador mineiro Mateus Simões, que deixará o Novo e ingressará no PSD no dia 27 de outubro, com o apoio do governador Romeu Zema (Novo) e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A filiação de Simões reconfigura o tabuleiro mineiro, fecha espaço interno no PSD e embaralha o plano lulista de atrair Pacheco para a disputa estadual.

No campo do Supremo, há um clamor crescente por uma mulher na Corte. Caso Lula decida atender à tese de gênero, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, surge como uma das opções mais fortes. Advogada, ex-senadora e presidenta do Partido dos Trabalhadores, Gleisi reúne experiência política e institucional e mantém trânsito entre os três Poderes, além de ter se consolidado como figura de confiança do presidente.

Se Lula mantém uma mulher no radar, a história joga a favor dessa escolha. Em 132 anos de existência, o Supremo Tribunal Federal teve 168 ministros homens e apenas três mulheres: Ellen Gracie, Rosa Weber e Cármen Lúcia, esta última, a única atualmente na Corte. O dado escancara a desigualdade estrutural no mais alto tribunal do país, onde a ausência feminina tem sido uma constante, mesmo após avanços democráticos e sociais. A eventual indicação de uma nova ministra teria, portanto, peso simbólico e político, representando não apenas um gesto de equidade de gênero, mas também uma correção histórica no coração do Judiciário brasileiro.

Por outro lado, o advogado-geral da União, Jorge Messias, permanece no radar do Planalto como “reserva estratégica” para um eventual governo Lula 4.0, em caso de reeleição. Jovem jurista, Messias é visto com simpatia pelo ministro do STF André Mendonça, seu ex-colega de Advocacia-Geral da União. Fontes governistas no Congresso avaliam que o momento político pode não ser o ideal para sua indicação agora, preferindo preservá-lo para o futuro.

Enquanto a decisão não vem, Lula observa o cenário político com cautela e equilibra as pressões internas do PT, do Senado e da sociedade civil. O gesto de prudência indica que a vaga no STF será usada também como instrumento de governabilidade e diálogo institucional, não apenas como escolha jurídica ou alegórica.

Até a volta do presidente da Ásia, o Supremo segue com uma cadeira vazia e duas forças à espreita: a política representada por Gleisi e a técnica encarnada por Messias.

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