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Alcolumbre vira pedágio para 27 nomes de Lula no Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), saiu da derrota de Jorge Messias no Supremo Tribunal Federal (STF) com uma nova alavanca sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): até 27 indicações do governo podem passar pela Casa em 2026, em áreas que mexem com energia, bancos, concorrência, mercado financeiro, saúde, água, transporte e mineração.

A cadeira do STF foi só o primeiro choque.

A fila agora inclui agências reguladoras, Banco Central (BC), Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão que julga fusões e abusos de empresas, e Comissão de Valores Mobiliários (CVM), xerife do mercado de capitais. Todas essas nomeações precisam de sabatina e aprovação do Senado antes da posse.

Messias caiu na quarta-feira (29) por 42 votos a 34. O indicado de Lula precisava de 41 votos para chegar ao Supremo. Não chegou.

O recado político foi simples: Lula indica, mas o Senado carimba ou enterra.

No BC, há duas cadeiras vagas. No Cade, são três postos sem titular definitivo, incluindo a presidência. Na CVM, Otto Lobo já foi indicado para presidir o órgão, mas ainda aguarda sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), e outras duas diretorias seguem vagas.

Nas agências reguladoras, Lula pode indicar até 19 nomes em 2026. A lista envolve Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Agência Nacional do Cinema (Ancine), Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e Agência Nacional de Mineração (ANM).

É uma fila técnica no papel.

Em Brasília, vira pedágio político.

Cada nome pode abrir nova rodada de cobrança, atraso, troca de relator, disputa de comissão e pressão de bancada. O Senado tem poder formal para sabatinar, aprovar ou rejeitar. Alcolumbre preside a Mesa Diretora do Congresso Nacional em composição registrada em sábado (2).

A Presidência do Senado negou, em 13 de abril, qualquer tratativa de Alcolumbre sobre cargos em agências reguladoras com Lula. A nota chamou as informações de “inverídicas” e disse que elas contribuem para desinformação.

A negativa existe e precisa entrar na conta.

Mas a matemática institucional também existe: depois de barrar Messias, o Senado mostrou que não está disposto a apenas homologar nomes do Planalto.

O próprio líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), tentou reduzir o dano ao dizer que a relação institucional com o Congresso “não mudará”. Na mesma cobertura oficial do Senado, o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, tratou a derrota como perda de capacidade de articulação do governo.

A disputa não será só sobre currículo.

Será sobre quem manda no relógio.

Uma indicação pode morrer sem ser rejeitada, bastando não andar. Em ano eleitoral, isso pesa mais. Interino fica, cadeira vaga fica, governo sangra na espera, e o Senado cobra protagonismo sem precisar votar contra todos os nomes.

A derrota de Messias não terminou na vaga do STF. Ela abriu uma porteira. Lula ainda segura a caneta das indicações, mas Alcolumbre passou a controlar parte do caminho até a posse.

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