O presidente Lula (PT) participará na noite de terça-feira (3) da sessão solene de abertura da 2ª Conferência Nacional do Trabalho, em São Paulo, para recolocar o “trabalho decente” no centro da agenda pública e destravar diretrizes que devem orientar políticas de emprego, renda, proteção social e negociação coletiva nos próximos anos. [Abaixo, você assiste ao vivo.]
A cerimônia será no Teatro Celso Furtado, no Centro de Convenções Anhembi, com presença do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.
A etapa nacional ocorrerá de hoje até quinta-feira (5), reunindo representantes de trabalhadores, empregadores e governos. O encontro buscará consolidar propostas construídas nas etapas municipais e estaduais e encaminhá-las ao Governo Federal.
O formato será tripartite, com número igual de delegados e direito à voz para as três bancadas. Na prática, isso coloca interesses distintos na mesa para negociação direta, com a promessa de construir consensos e propostas viáveis para a política nacional de trabalho e renda.
O processo que desemboca em São Paulo começou entre setembro e dezembro de 2025, quando as 27 unidades da Federação realizaram etapas estaduais e distrital. Desse ciclo saíram mais de 386 propostas, base do que será debatido na plenária nacional.
As conferências locais reuniram mais de 2.800 delegados e concentraram preocupações como modernização das relações de trabalho sem perda de direitos, enfrentamento da precarização, promoção do trabalho decente e ampliação de oportunidades diante das transformações tecnológicas.
As centrais sindicais enviaram representantes na bancada sindical. A expectativa das entidades é que as deliberações orientem ações do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e influenciem políticas estaduais.
Na programação, esta terça terá credenciamento e abertura. Na quarta-feira (4), as três bancadas deverão organizar posições e entrar nos grupos temáticos para negociar propostas. A quinta-feira (5) ficará para a plenária final, com votação das deliberações consolidadas.
Entre os temas previstos estão qualificação profissional, proteção social, inclusão produtiva, fortalecimento da negociação coletiva e a preparação do país para transições tecnológica, digital, ecológica e demográfica. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) deverá apresentar um diagnóstico sobre trabalho decente no Brasil, servindo de referência para o debate.
O fim da jornada 6×1 deverá empolgar a plateia, sobretudo porque o presidente Lula e o governo federal sinalizam apoio à proposta que tramita no Congresso Nacional, tema que dialoga diretamente com a vida real de quem vive de salário e enfrenta rotina exaustiva, e que tende a virar termômetro político do evento ao colocar no centro a disputa entre produtividade, saúde do trabalhador e preservação de direitos.
O pano de fundo político é claro: Lula tenta dar lastro social e institucional a uma agenda que enfrente informalidade crônica, pejotização predatória e “uberização” sem rede de proteção. O teste, depois do palco, será transformar diretrizes em política pública com orçamento, fiscalização e resultado no contracheque.
No entanto, a conferência só vira legado quando a caneta assina e a ponta sente. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




