O Supremo Tribunal Federal (STF) entra na fase decisiva do julgamento que pode selar o destino político e jurídico de Jair Bolsonaro (PL). A corte avança para a leitura da sentença, enquanto a defesa tenta, pela última vez, sustentar a narrativa de perseguição contra o ex-presidente.
Até a próxima quarta-feira, 13 de agosto, os sete réus apontados como núcleo central da tentativa de golpe terão de apresentar suas alegações finais. Para Bolsonaro, é a última chance de falar ao STF antes do veredicto que pode resultar em condenação definitiva e inelegibilidade prolongada.
O ex-presidente cumpre prisão domiciliar desde 4 de julho, medida imposta após descumprir restrições judiciais. Entre as sanções, uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, bloqueio de celulares e limitação de visitas. Isolado, Bolsonaro mantém contato apenas com um círculo restrito, reforçando a imagem de cerco político.
Na tentativa de romper esse isolamento, sua base religiosa e conservadora recorreu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em discursos recentes, Trump chamou o processo de “caça às bruxas” e declarou que “Bolsonaro não é culpado de nada”. Ao mesmo tempo, anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e defendeu sanções ao ministro Alexandre de Moraes, gesto visto como ingerência direta no Judiciário brasileiro.
A reação institucional veio de Lula, que defendeu a soberania nacional e descartou qualquer negociação que pareça submissão a pressões externas. Analistas ouvidos pela imprensa avaliam que, longe de ajudar, a ofensiva de Trump pode ampliar a rejeição a Bolsonaro, fortalecendo a percepção de dependência política de interesses estrangeiros.
Pesquisas recentes mostram um país dividido: 53% apoiam a prisão domiciliar de Bolsonaro, enquanto 47% consideram a medida excessiva. Esse cenário tende a influenciar diretamente o mapa eleitoral de 2026, com impacto sobre candidaturas conservadoras e alianças de centro-direita.
O juízo final de Bolsonaro no STF vai muito além de um processo judicial. É um teste para a capacidade das instituições brasileiras resistirem a pressões externas e preservarem sua autonomia. A decisão que se aproxima não definirá apenas o futuro de um homem, mas também a narrativa que prevalecerá sobre o maior desafio à democracia desde 1988.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




