O senador Sergio Moro (União) e parlamentares da esquerda e da direita entram no radar da janela partidária aberta nesta quinta-feira (5), período em que deputados podem trocar de legenda sem risco de perder o mandato. O prazo vai até 5 de abril e tende a reorganizar chapas, alianças e palanques para as eleições de 2026.
A chamada “janela da infidelidade” permite que deputados federais, estaduais e distritais mudem de partido dentro da lei eleitoral. Fora desse intervalo, a troca pode resultar na perda do mandato por infidelidade partidária.
Na prática, o mecanismo vira um mês de intensa negociação nos bastidores da política brasileira. É quando dirigentes partidários montam nominatas, reforçam bancadas e tentam atrair quadros competitivos para as disputas legislativas e executivas.
No Paraná, a movimentação promete redesenhar o campo político tanto à direita quanto à esquerda.
No campo conservador, cresce a especulação de que Sergio Moro pode deixar o União Brasil caso prospere a criação da federação União Progressista, que uniria União Brasil e Progressistas. A pressão vem do diretório estadual do PP.
Nesta semana, o presidente nacional do Progressistas, senador Ciro Nogueira (PP-PI), reforçou a decisão do diretório paranaense de não homologar uma eventual candidatura de Moro ao Palácio Iguaçu pela federação.
O gesto político sinaliza um obstáculo relevante ao projeto eleitoral do ex-juiz no estado. Sem espaço garantido na federação, Moro poderia avaliar novos caminhos partidários antes do fechamento das filiações.
No campo progressista, também surgem conversas de bastidor.

O deputado federal Aliel Machado (PV-PR) e o deputado estadual Renato Freitas (PT-PR) estariam avaliando uma migração para a Rede Sustentabilidade. Freitas, segundo interlocutores políticos, planeja disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados nas eleições deste ano.
Procurado pelo Blog do Esmael, o presidente da Rede Sustentabilidade no Paraná, Aldair Rizzi, respondeu de forma lacônica sobre as articulações.
“A Rede Sustentabilidade está conduzindo um agressivo projeto de crescimento eleitoral onde o Paraná é um dos estados prioritários. A estimativa é que a Federação REDE/PSOL eleja três deputados federais e dois deputados estaduais no Paraná. Os nomes que compõem as nominatas serão divulgados em bloco ainda dentro da janela partidária.”
Questionado pelo Blog do Esmael, um dirigente da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) reagiu com ironia: ‘o partido traído costuma ser o último a saber’.
O ambiente de rearranjo também pode atingir o entorno do governador Ratinho Júnior (PSD).
Nos bastidores, líderes preteridos na disputa majoritária avaliam alternativas. O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), deputado Alexandre Curi (PSD), é citado em conversas com o Republicanos. Já o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (PSD-PR), atual secretário estadual de Desenvolvimento Sustentável, teria recebido convites do Progressistas, Podemos e MDB.
Esses movimentos antecipam um jogo maior.
A janela partidária costuma redefinir o tamanho das bancadas e, sobretudo, reorganizar alianças que influenciam diretamente as disputas estaduais e a corrida presidencial de 2026, hoje polarizada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Em resumo, o mês que vai até 5 de abril tende a transformar o mapa partidário brasileiro. Deputados negociam espaço, partidos disputam nomes competitivos e as engrenagens eleitorais começam a girar com mais intensidade.
Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
Leia também no Blog do Esmael: Entenda a filiação partidária e o prazo de troca; Entenda quando a troca de partido pode cassar o mandato; Lei da Ficha Limpa completa 16 anos e volta ao STF

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




