A pesquisa Índice Inteligência divulgada nesta quinta-feira, 24 de setembro, acrescentou uma nova fotografia à disputa pelas duas vagas do Paraná no Senado. Na soma dos dois votos, Alexandre Curi (Republicanos) registra 32%, Deltan Dallagnol (Novo) 31%, Gleisi Hoffmann (PT) 30% e Filipe Barros (PL) 27%. O dado que mais dimensiona a abertura da corrida, porém, aparece no voto espontâneo: 65% não souberam ou não quiseram indicar um candidato.
O levantamento ouviu 1.200 eleitores do Paraná, presencialmente e em domicílio, entre 19 e 21 de setembro. A margem de erro máxima estimada é de 2,83 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número PR-06638/2026 e foi contratada pela Editora Karina Ltda.
A soma de 32%, 31%, 30% e 27% não pode ser lida como uma pesquisa convencional para governador ou presidente. Cada eleitor paranaense poderá escolher dois candidatos ao Senado em 4 de outubro. Por isso, o quadro agregado do Índice soma as duas escolhas e pode chegar a 200%, considerando candidatos, brancos, nulos e indecisos.
Essa característica muda a leitura política da pesquisa. Curi aparece numericamente à frente na soma das citações, mas a pergunta específica sobre o primeiro voto produz outra sequência: Gleisi tem 23%, Curi 21%, Deltan 18% e Filipe 15%.
A segunda escolha modifica novamente o desenho. Dr. Rosinha (PT) registra 15%, Deltan 13%, Filipe 12%, Curi 11% e Gleisi 7%. Outros 17% apontam branco, nulo ou nenhum candidato, enquanto 14% não sabem ou não respondem.
O resultado ajuda a mostrar por que seria artificial transformar qualquer uma dessas perguntas, isoladamente, numa classificação definitiva para as duas cadeiras. Um candidato pode ter desempenho maior como primeira escolha e outro concentrar mais citações no segundo voto. A urna contará os votos recebidos por cada candidato, independentemente de terem sido a primeira ou a segunda escolha do eleitor.
O cenário espontâneo amplia essa cautela. Sem a apresentação dos nomes, 65% dos entrevistados pelo Índice não souberam ou não quiseram responder. Deltan foi citado por 10%, Gleisi por 6%, Curi por 5% e Filipe por 3%. Branco, nulo ou nenhum candidato também recebeu 6%.
É nesse ponto que o Índice conversa com a pesquisa Quaest divulgada também nesta quinta-feira, 24 de setembro, mas sem permitir comparação direta dos percentuais.
A Quaest, publicada pelo Blog do Esmael às 13h49, redimensionou a combinação dos dois votos para uma base de 100%. Nesse formato, Curi aparece com 14%, Deltan e Filipe com 11% cada e Gleisi com 10%. A Quaest ouviu 804 eleitores entre 20 e 23 de setembro, tem margem de erro de três pontos percentuais e registro PR-02802/2026.
Ou seja: os 32% de Curi no Índice não podem ser colocados na mesma coluna dos 14% da Quaest para concluir crescimento, queda ou divergência entre institutos. O Índice apresenta a soma das duas escolhas numa escala que chega a 200%; a Quaest consolida essas menções e as redimensiona para 100%. São formas diferentes de apresentar uma eleição na qual cada entrevistado dispõe de dois votos.
A indefinição espontânea, embora também medida de maneira própria por cada levantamento, aparece elevada nas duas pesquisas. No Índice, 65% não indicam um nome espontaneamente. Na Quaest, 76% não souberam citar candidato quando a lista não foi apresentada.
Esse talvez seja o dado mais relevante da rodada para entender a reta final: faltando dez dias para o primeiro turno de 4 de outubro, uma parcela majoritária do eleitorado ainda não demonstra lembrança espontânea de candidato ao Senado nas duas pesquisas divulgadas nesta quinta-feira. Isso não significa que o mesmo percentual chegará indeciso à urna, porque o voto estimulado mede outra dimensão da escolha.
O Índice confirma, portanto, uma disputa com diferentes portas de entrada para as duas cadeiras. Curi, Deltan, Gleisi e Filipe aparecem próximos na soma dos votos; Gleisi registra o maior percentual numérico na primeira escolha; e a espontânea mostra que a maior concentração continua fora de qualquer candidatura: 65% sem nome declarado.
Acompanhe no Blog do Esmael as pesquisas da reta final, as diferentes metodologias para o Senado e a disputa pelas duas cadeiras paranaenses em 4 de outubro.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




