O presidente Donald Trump ampliou a pressão militar sobre o Irã neste sábado (7), enquanto Teerã respondeu com novos mísseis contra Israel e viu instalações de petróleo na capital serem atingidas em ataques atribuídos aos EUA e a Israel. No oitavo dia da guerra, o conflito entrou de vez na segunda semana sem qualquer sinal concreto de trégua.
A fotografia do dia é a de uma escalada em três frentes.
A primeira é militar. O Irã lançou novas ondas de drones e mísseis contra Israel e também manteve pressão sobre ativos e bases ligadas aos EUA na região, enquanto sirenes e interceptações foram registradas em países do Golfo. A Al Jazeera relatou alertas e ações defensivas em Israel, Emirados Árabes Unidos, Qatar e Bahrein; a Reuters também descreveu o alargamento regional da crise e a paralisação do tráfego de petróleo no Estreito de Ormuz.
A segunda frente é energética. Atingir depósitos e infraestrutura ligados ao petróleo em Teerã desloca a guerra para um terreno ainda mais sensível, porque a crise já pressiona o mercado global de energia. A Associated Press informou que um grande incêndio atingiu uma instalação de armazenamento de petróleo na capital iraniana, enquanto análises publicadas neste sábado apontam petróleo acima de US$ 90 o barril e alta dos combustíveis nos Estados Unidos.
A terceira frente é política, dentro do próprio Irã. O presidente Masoud Pezeshkian tentou reduzir danos diplomáticos ao sinalizar que o país não atacaria vizinhos, salvo se seus territórios fossem usados contra Teerã. Mas a mensagem foi desautorizada na prática por setores duros do regime, que insistiram na continuidade das retaliações. Washington explorou essa contradição, e Trump chegou a afirmar que o Irã teria “se rendido” aos vizinhos, interpretação rejeitada por Teerã.
Esse ruído interno não é detalhe. Ele sugere que a cadeia de comando iraniana continua sob disputa depois da morte do aiatolá Ali Khamenei, cenário que enfraquece a previsibilidade da resposta do país. O Washington Post revelou que uma avaliação classificada do Conselho Nacional de Inteligência dos EUA concluiu, antes do início da ofensiva em 28 de fevereiro, que mesmo um ataque de grande escala dificilmente derrubaria o regime iraniano. Em outras palavras, a guerra pode destruir alvos, mas não garante mudança de poder em Teerã.
A própria Reuters registra que o governo Trump já enfrenta o risco de uma campanha mais longa, mais cara e com repercussão política interna nos Estados Unidos. A agência aponta que a ameaça ao Estreito de Ormuz, a interrupção do fluxo de petróleo e o possível prolongamento da guerra podem atingir a economia global e também o ambiente eleitoral norte-americano.
No terreno, a ofensiva israelense e americana também arrasta outros atores. O Hezbollah reivindicou novos ataques ao norte de Israel, o Líbano segue sob bombardeios, e países do Golfo reforçaram alertas e sistemas de defesa. O conflito, portanto, já não cabe mais na moldura de uma simples troca de ataques entre Israel e Irã. Ele se converteu em crise regional plena, com reflexos militares, diplomáticos, energéticos e humanitários.
O dado político mais importante deste sábado é que Trump fala em ampliar alvos, enquanto o Irã insiste que não aceitará rendição. Quando os dois lados endurecem o discurso ao mesmo tempo, o espaço da diplomacia encolhe e o custo para civis, mercados e governos vizinhos cresce de forma exponencial.
A guerra deixou de ser apenas uma aposta de força e virou teste de resistência política, econômica e institucional para toda a região. É o tipo de conflagração que costuma escapar dos cálculos iniciais de seus arquitetos. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




