A Globo classificou como “visita institucional” o almoço de Flávio Bolsonaro (PL) com dirigentes do grupo nesta sexta-feira, 16 de outubro, horas antes da sabatina eleitoral na emissora. O encontro provocou críticas na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o tratamento dispensado ao adversário na disputa presidencial.
Em nota oficial encaminhada ao Blog do Esmael pela campanha de Flávio Bolsonaro, a Globo afirmou que o candidato foi recebido pelo presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, e pelo vice-presidente de Relações Institucionais, Paulo Tonet. Segundo a empresa, dirigentes do Jornalismo não participaram da reunião.
O comunicado é da emissora. A campanha de Flávio Bolsonaro repassou sua manifestação ao Blog. A origem da nota também foi registrada nas reportagens de Letícia Casado, no UOL, e Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo.
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A Globo sustenta que visitas de cortesia de candidatos fazem parte da rotina dos executivos de empresas de comunicação. A explicação procura enquadrar o almoço como um compromisso empresarial comum, embora realizado na mesma data da entrevista eleitoral.
O problema político está justamente nessa coincidência. Flávio Bolsonaro teve acesso à cúpula da empresa poucas horas antes de responder às perguntas de sua equipe jornalística. A ausência de dirigentes do Jornalismo, informada pela Globo, não elimina o questionamento sobre a conveniência da recepção.
Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), criticou o encontro em declaração à coluna de Mônica Bergamo. Questionou se houve parceria ou gentileza e considerou inadequada a escolha do momento, inclusive pelo efeito sobre os profissionais da emissora. A Globo respondeu à coluna que também receberia Lula caso ele tivesse solicitado uma reunião.
Segundo a coluna de Tatiana Farah, no UOL, coordenadores da campanha petista afirmaram que Lula não recebeu convite para um almoço semelhante. A publicação também informou que a campanha do presidente não pediu uma agenda com João Roberto Marinho.
Não há comprovação de que o encontro tenha servido de media training, expressão em inglês para preparação para entrevistas. A suspeita de treinamento não pode ser apresentada como descrição do que aconteceu à mesa.
O almoço, entretanto, está confirmado. A controvérsia envolve a decisão empresarial de receber um candidato no dia de sua sabatina, numa eleição em que a emissora precisa demonstrar equilíbrio no tratamento dos concorrentes.
A Globo ofereceu sua justificativa: visita institucional, sem lideranças do Jornalismo. A crítica à escolha da data permanece. Ao abrir a porta para Flávio Bolsonaro antes da entrevista, a própria cúpula da empresa virou assunto da cobertura eleitoral.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




