A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reagiu com indignação à decisão da Câmara dos Deputados de retirar de pauta a Medida Provisória 1303/25, que previa taxar investimentos de super-ricos e unificar em 18% a tributação sobre aplicações financeiras a partir de 2026.
“Hoje ficou claro que a pequena parcela muito rica do país não admite que seus privilégios sejam tocados. Não querem pagar impostos como a maioria dos cidadãos. E não querem que o governo tenha recursos para investir em políticas para a população. Quem votou na Câmara para derrubar a MP que taxava os super-ricos votou contra o país e o povo”, escreveu Gleisi nas redes sociais após o resultado.
A Câmara aprovou, por 251 votos a 193, requerimento da oposição que retirou o texto da pauta.
Como a MP perde validade à meia-noite, não haverá tempo hábil para votação no Senado.
O governo Lula considerava a proposta essencial para garantir o equilíbrio fiscal e manter programas sociais em 2026.
O relator da MP, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), havia feito diversas concessões na tentativa de viabilizar o acordo: manteve a isenção das Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA) e retirou o aumento da tributação sobre apostas esportivas (bets).
Mesmo assim, a oposição conseguiu barrar a análise em plenário.
Com a derrota, o governo perde uma estimativa de arrecadação extra de R$ 17 bilhões e deve rever o orçamento de 2025 e 2026.
O Ministério da Fazenda já avalia bloqueios adicionais de despesas e eventuais ajustes em tributos como o IOF e o IPI.
Durante o debate, o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), acusou a oposição de antecipar a disputa eleitoral de 2026 e agir “contra as famílias brasileiras”.
Deputados do PL e do União Brasil, como Sóstenes Cavalcante (RJ) e Kim Kataguiri (SP), comemoraram a retirada da pauta como “vitória política”.
Nos bastidores, Gleisi teria alertado que a votação exporia quem defende o interesse público e quem protege privilégios.
A ministra, responsável pela articulação política do Planalto, classificou o episódio como um “marco de contraste moral” entre um governo que busca justiça fiscal e uma elite que se recusa a contribuir.
A derrubada da MP dos super-ricos escancara o peso das pressões econômicas sobre o Congresso e marca uma derrota política para o governo Lula.
Gleisi Hoffmann, que vinha de vitórias consecutivas, transformou o revés em denúncia pública e prometeu seguir na defesa de uma tributação mais justa no país.
O senador Sergio Moro (União) utilizou as hashtags #ForaLula e #ForaPT para comemorar a retirada da pauta na Câmara.
“Derrota do governo Lula na MP 1303. Chega de aumento de impostos. Vitória da população brasileira. Parabéns à Câmara”, escreveu o ex-juiz da Lava Jato, pré-candidato ao governo do Paraná.
O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), também se manifestou nas redes e disse ter orientado a bancada federal a votar contra a medida provisória do governo federal, que, segundo ele, previa um novo aumento da carga tributária.
Segundo Ratinho, o brasileiro está cansado de pagar tantos tributos para sustentar uma máquina pública inchada e ineficiente.
“No Paraná, temos seguido o caminho oposto, mostrando que é possível governar com eficiência sem pesar no bolso da população”, discursou o governador cessante.
No mundo político, no entanto, observaram-se as digitais do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que torce para que o governo Lula dê errado neste início de corrida eleitoral.
Bastidores indicam que os votos contrários à MP, que taxaria os super-ricos, tiveram a mão de gato de Tarcísio e visaram atingir Lula, deixando-o sem orçamento para fechar as contas.
No entanto, Gleisi é enfática: quem votou na Câmara para derrubar a MP que taxava os super-ricos votou contra o país e o povo.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




