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Gleisi diz que CPMI do INSS pode atrapalhar investigações e ressarcimento

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A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, voltou a se manifestar publicamente contra a instalação da CPMI do INSS, desta vez em suas redes sociais. Em tom firme, Gleisi criticou a motivação política do requerimento e alertou para o risco de interferência nas investigações já em curso, conduzidas pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU).

“CPIs são prerrogativa do Legislativo e direito das minorias”, escreveu nesta sexta (16). “Mas são instrumentos importantes em governos que não investigam ou acobertam desvios — como foi o caso do governo anterior com a Covid e o roubo dos aposentados”, completou, apontando diretamente a gestão de Jair Bolsonaro (PL).

Para a ministra, a “engenharia criminosa” contra aposentados começou no governo anterior, mas foi desmantelada no atual, graças à atuação coordenada da CGU e da PF, sob orientação direta do presidente Lula.

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Investigação já em curso pode ser comprometida

Desde 2023, segundo Gleisi, mais de 10 inquéritos policiais investigam os responsáveis pelos descontos indevidos em aposentadorias. O governo, por sua vez, já suspendeu os pagamentos irregulares e está em processo de ressarcimento das vítimas.

Uma CPMI, nesse momento, “pode comprometer o sucesso da investigação policial, que deve permanecer protegida de interferências externas e do vazamento de informações”, alertou a ministra. Para ela, abrir uma comissão agora pode atrasar medidas concretas já em andamento, como o ressarcimento dos aposentados prejudicados.

Além disso, Gleisi reforçou que a criação da CPMI, com duração prevista de seis meses, atrapalharia o cronograma de reparação e aprofundamento das investigações. “São preocupações que precisamos externar para esclarecer a população”, declarou.

Defesa institucional e responsabilização

A manifestação de Gleisi também visou reafirmar que o governo Lula não teme investigações, pelo contrário: tem liderado a apuração dos crimes. “Este governo já suspendeu os descontos, acabou com o roubo aos aposentados e demonstrou que levará as investigações até as últimas consequências.”

Nos bastidores, o Planalto avalia que a CPMI tem caráter eleitoral, articulada por setores bolsonaristas para desgastar o governo. A base governista se divide entre tentar impedir a instalação ou assumir o comando da comissão para inverter a narrativa.

No Senado, onde o requerimento precisa ser lido por Davi Alcolumbre (União-AP), o clima ainda é de indefinição. A próxima sessão conjunta do Congresso está prevista para 27 de maio — data-limite para o governo tentar barrar ou assumir a CPMI. A partir daí, os parlamentares que quiserem poderão retirar as assinaturas até as 23h59 desse dia. Se instalada, a CPMI do INSS será composta por 15 deputados, 15 senadores e igual número de suplentes, que terão o prazo de 180 dias para concluir as investigações.