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Fusão PSDB + Podemos descarta presidenciável e seguirá “independente” em 2026
A fusão entre PSDB e Podemos será oficializada em convenção nacional marcada para o próximo 5 de junho, segundo revelou o ex-governador e deputado federal Beto Richa (PSD-PR) em entrevista exclusiva à EsmaelTV. O novo partido, que ainda não tem nome definido, não terá candidato à Presidência da República em 2026 — um gesto emblemático que sela o encerramento do projeto nacional tucano iniciado há 30 anos com Fernando Henrique Cardoso.
“A fusão será formalizada agora em junho. E a orientação é de independência nas eleições presidenciais. Não teremos candidatura própria ao Planalto”, afirmou Richa.
Na prática, o novo partido se alinha à lógica do Centrão pragmático: abrir mão da disputa majoritária nacional para preservar cacifes estaduais, fundo partidário e espaço no governo federal — seja ele qual for.
Do Plano Real ao plano de sobrevivência

Richa reconheceu abertamente o definhamento do PSDB. Lamentou a saída de Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, que abandonou o ninho para ingressar no PSD de Gilberto Kassab — legenda que, assim como o novo PSDB + Podemos, já opera sob o regime do “governismo funcional”.
“Perdemos uma grande liderança. É um momento difícil para o PSDB”, disse o tucano, sem esconder a frustração.
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“Se hay gobierno, soy a favor”
Ao adotar a tal “independência”, o novo partido se junta ao bloco de legendas que integram o governo Lula, mas evitam o ônus da polarização. São partidos com ministérios, cargos estratégicos e discurso camaleônico, capazes de apoiar qualquer presidente desde que haja contrapartida no orçamento.
Essa lógica ganhou uma definição irônica nos bastidores de Brasília: são os “guevaristas invertidos” — partidos cuja única ideologia é estar no poder:
“Se hay gobierno, soy a favor!”
Na Esplanada dos Ministérios, PSD, União Brasil, PP e agora PSDB + Podemos funcionam como satélites orbitando o Executivo — seja ele petista ou bolsonarista.
O caso explosivo do Paraná

No Paraná, a fusão cria um palanque politicamente dissonante. A nova legenda poderá reunir no mesmo espaço:
- Beto Richa, ex-governador liberal, crítico da Lava Jato e pragmático;
- Cristina Graeml, jornalista e deputada de extrema-direita, alinhada ao bolsonarismo radical;
- e Alvaro Dias, moralista de ocasião, ex-senador que ajudou a legitimar a Lava Jato.
Richa, que já trocou farpas públicas com Graeml e Dias, adotou um tom conciliador:
“O importante é o projeto coletivo. Precisamos unir forças para o futuro do estado.”
Nos bastidores, a convivência entre esses personagens é vista como improvável, instável e explosiva, mas necessária para que a nova legenda tenha relevância regional.
Um partido para estar no governo — qualquer governo
A fusão PSDB + Podemos não representa apenas uma movimentação burocrática: ela simboliza a transição definitiva de um modelo de política programática para uma lógica de negociação permanente com o poder de plantão.
Não se trata mais de liderar um projeto para o Brasil, como o PSDB já tentou — com erros e acertos — nas décadas passadas. Agora, a prioridade é permanecer no jogo, qualquer que seja o resultado.
Assista à entrevista completa com Beto Richa na EsmaelTV e acompanhe os bastidores do poder no Blog do Esmael.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




