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Tucano denuncia abusos da força-tarefa de Curitiba em livro e fala sobre 2026
O ex-governador do Paraná e atual deputado federal Beto Richa (PSDB) quebrou o silêncio sobre a Operação Lava Jato ao revelar, em entrevista exclusiva à EsmaelTV, que está escrevendo um livro com detalhes inéditos sobre os bastidores e abusos sofridos durante o processo que o levou à prisão em 2018, em plena campanha ao Senado.
Na avaliação do tucano, a Lava Jato destruiu reputações e inverteu princípios constitucionais como a presunção de inocência e o devido processo legal. Ele afirmou que foi alvo de uma ação coordenada entre o Gaeco e procuradores ligados à operação, que culminou na sua prisão ilegal a menos de três semanas da eleição.
“Eu liderava as pesquisas ao Senado. A operação foi deflagrada justamente no momento em que a vitória era iminente”, disse Richa. “Tiraram minha chance e manipularam a democracia com espetáculo jurídico-midiático.” [Abaixo, assista a íntegra.]
Um livro para confrontar a história oficial
Beto Richa confirmou que o livro em produção será uma espécie de memória política e jurídica de um período que ele considera de “exceção institucional”, em que os direitos fundamentais foram sistematicamente violados.
Segundo o parlamentar, o material reunirá bastidores de sua gestão, diálogos com lideranças do Judiciário e registros sobre o funcionamento interno do Ministério Público no Paraná. A publicação promete ser um contraponto à narrativa consagrada pela força-tarefa de Curitiba.
Em um dos trechos mais contundentes da entrevista, Richa aponta diretamente o procurador federal Diogo Castor de Mattos como responsável por “iniciativas pessoais” que, segundo ele, tinham o objetivo de destruí-lo politicamente.
“Foi o Diogo Castor, procurador federal da Lava Jato, quem liderou a ação que me tirou da disputa em 2018. Ele tinha motivação política, não jurídica. A operação foi arquitetada para me impedir de chegar ao Senado. Isso precisa vir à tona.”
O ex-governador afirma que apresentará provas documentais no livro, incluindo cronogramas de reuniões, mensagens e decisões judiciais que, segundo ele, comprovam o “uso político do sistema de Justiça” contra adversários previamente escolhidos.
“Não guardo mágoas, mas é preciso fazer justiça à verdade. O país precisa conhecer os abusos cometidos em nome do combate à corrupção”, reiterou Richa, ao antecipar que os capítulos tratarão também da relação entre membros do MPF e veículos de imprensa na produção de dossiês e vazamentos seletivos.
Reabilitação política e cenário de 2026
Na mesma entrevista, Beto Richa evitou confirmar oficialmente sua pré-candidatura, mas sinalizou que estará no jogo em 2026, seja ao Senado, seja compondo uma aliança majoritária.
Com o PSDB negociando uma fusão com o Podemos, o tucano evita atritos diretos com figuras como Cristina Graeml e Alvaro Dias, com quem já teve embates públicos. Nos bastidores, aliados admitem que há conversas discretas para pacificar o grupo de centro-direita no Paraná.
“Vamos aguardar os desdobramentos da fusão. Tudo tem seu tempo. O importante é termos um projeto viável para o estado e para o Brasil”, resumiu.
A Lava Jato sob ataque dos próprios alvos
A iniciativa de Richa se soma a uma série de movimentos recentes de figuras que foram alvo da Lava Jato e agora buscam reescrever o legado da operação. Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por exemplo, foi absolvido e voltou à Presidência da República. Sérgio Moro, por sua vez, enfrenta desgaste e investigações.
A disputa por uma narrativa histórica sobre o que foi — e o que representou — a Lava Jato segue aberta. O livro de Beto Richa promete ser mais um capítulo desse embate simbólico.
Assista à íntegra da entrevista na EsmaelTV e acompanhe os bastidores do poder no Blog do Esmael.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




