O chefe do Hamas, Khalil al-Hayya, anunciou nesta quinta-feira (9) o encerramento da guerra com Israel, após a assinatura da primeira fase do acordo de paz mediado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O pacto, firmado na quarta-feira (8), prevê cessar-fogo, troca de reféns e prisioneiros, e retirada gradual das tropas israelenses da Faixa de Gaza.
Segundo o Hamas, o cessar-fogo entrará em vigor nas próximas 24 horas, após aprovação formal do gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Trump comemorou o acordo como “um grande dia para o mundo árabe e para Israel”, e afirmou que pretende viajar à região ainda neste fim de semana para acompanhar o início da implementação.
O plano de paz, apresentado pela Casa Branca no fim de setembro, foi construído com mediação de Egito, Catar e Turquia.
O entendimento prevê que o grupo palestino liberte todos os 48 reféns restantes, vivos ou mortos, em até 72 horas.
Em troca, Israel deverá libertar cerca de 2 mil prisioneiros palestinos, incluindo condenados à prisão perpétua.
Na Faixa de Gaza, onde mais de 60 mil palestinos morreram desde o início da guerra em outubro de 2023, o anúncio foi recebido com esperança e desconfiança.
“É o fim da matança, mas não sabemos se será o início da paz”, disse um professor de inglês em Khan Younis à imprensa local.
Trump, em sua rede Truth Social, afirmou que o acordo é o “primeiro passo para uma paz forte e duradoura”.
O republicano já havia pressionado Netanyahu a aceitar a proposta, após o bombardeio israelense em setembro contra representantes do Hamas no Catar quase inviabilizar as negociações.
Apesar da euforia diplomática, o Hamas declarou que não entregará as armas e seguirá comprometido “com a libertação e autodeterminação do povo palestino”.
Esse ponto é considerado o principal obstáculo para a consolidação do cessar-fogo.
Pelo plano americano, Gaza se tornará uma “zona livre de grupos armados” administrada provisoriamente por um comitê tecnocrático palestino, até que a Autoridade Palestina reassuma o controle.
O projeto também inclui um fundo internacional de reconstrução do território devastado, sob supervisão de um “Conselho da Paz”, que teria Trump como presidente honorário e participação do ex-premiê britânico Tony Blair.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, saudou o acordo e pediu que “todas as partes cumpram integralmente suas obrigações”.
Ele reforçou que “todos os reféns devem ser libertados de forma digna” e que o cessar-fogo precisa se tornar permanente.
Para Netanyahu, trata-se de “um grande dia para Israel” e uma “vitória moral”.
Já Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, elogiou o esforço diplomático e disse esperar que o acordo conduza “a uma solução política duradoura e à criação de um Estado palestino independente”.
Nos bastidores, observadores internacionais avaliam que Trump busca coroar o feito com o Prêmio Nobel da Paz.
Se conseguir sustentar o cessar-fogo e implementar as etapas seguintes do plano, poderá se consolidar como o presidente que encerrou o mais longo e sangrento conflito da era moderna.
O anúncio de al-Hayya encerra, ao menos no papel, uma guerra de dois anos que ceifou mais de 67 mil vidas e destruiu Gaza.
Resta saber se o cessar-fogo resistirá às desconfianças históricas entre israelenses e palestinos.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




