O Hamas aceitou pontos do plano de Donald Trump para Gaza, mas ainda pede renegociação de cláusulas sensíveis, informam as agências internacionais de notícia.
O grupo anunciou nesta sexta-feira (3) que concorda em liberar todos os reféns israelenses, vivos e mortos, e em transferir a administração da Faixa de Gaza a um corpo palestino de tecnocratas independentes, com aval árabe e islâmico.
A resposta veio após o ultimato do presidente dos EUA, que fixou prazo até domingo, 5 de outubro, às 18h (horário de Washington).
O plano da Casa Branca, de 20 pontos, prevê cessar-fogo imediato, troca de prisioneiros, retirada israelense faseada e desarmamento do Hamas.
A proposta de Trump foi endossada pelo premiê israelense Benjamin Netanyahu e por aliados árabes e europeus.
No entanto, a organização palestina evitou qualquer referência a entregar armas, condição central para Tel Aviv e Washington.
Trump usou o estilo que o consagrou: transformou proposta em ameaça.
“Se este ÚLTIMO ACORDO não for aceito, o inferno, como nunca se viu, vai cair sobre o Hamas”, escreveu nas redes.
Fontes diplomáticas revelam que o recado foi costurado com pressão sobre Netanyahu, especialmente depois do ataque aéreo israelense de 9 de setembro em Doha, no Catar, que quase implodiu a mediação local.
Nos bastidores, Jared Kushner voltou ao jogo como articulador no Oriente Médio, ao lado do enviado Steve Witkoff.
O episódio de Doha, visto como “negociar bombardeando os negociadores”, enfureceu Trump e obrigou Netanyahu a pedir desculpas públicas ao emir do Catar para não perder a mesa de diálogo.
Apesar da retórica triunfal, fissuras já aparecem.
Alguns países árabes exigem garantias sobre a retirada israelense e um caminho claro para autodeterminação palestina.
Em Gaza, organizações humanitárias denunciam colapso dos serviços básicos e risco de genocídio se não houver cessar-fogo imediato.
O gesto do Hamas cria uma fresta para aliviar o sofrimento civil.
Mas sem verificação internacional, cronograma transparente e legitimidade política, o acordo pode se transformar em mais uma “paz de papel”.
O prazo de domingo será um divisor: ou as lideranças consolidam uma saída diplomática ou empurram o Oriente Médio para mais devastação.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




