O governo dos Estados Unidos confirmou, nesta sexta-feira (3), a morte de quatro homens em um barco atingido por forças militares no mar do Caribe, próximo à costa da Venezuela.
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, declarou em rede social que os mortos seriam “narcoterroristas”, mas não apresentou provas.
O ataque, autorizado por Donald Trump, é o quarto desde 2 de setembro dentro de uma campanha que o presidente descreve como guerra contra cartéis de drogas classificados por ele como organizações terroristas. Ao todo, 21 pessoas foram mortas.
Juristas e especialistas em direito internacional contestam a legalidade da medida, afirmando que o tráfico de entorpecentes não configura ataque armado que justifique o uso de força letal.
A ofensiva coincide com movimentos militares no Caribe: três navios americanos com cerca de 4 mil soldados foram deslocados para a região, além da incursão de caças em área de voo venezuelana.
Havana reagiu com dureza. O chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, acusou Washington de buscar pretextos para uma agressão direta contra Caracas e alertou que as ações violam o compromisso da América Latina como “Zona de Paz”.
Autoridades venezuelanas também denunciaram as operações como provocações e reforçaram a mobilização de milicianos e fronteiras.
O presidente Nicolás Maduro, acusado pelos EUA de fraude eleitoral em 2024 e alvo de recompensa de US$ 50 milhões por sua captura, aparece no centro da escalada.
Trump comunicou ao Congresso que considera os EUA em “conflito armado não internacional” contra cartéis, equiparando supostos traficantes a “combatentes ilegais”.
A justificativa tem sido amplamente criticada. O senador democrata Jack Reed acusou o republicano de travar “guerras secretas” sem respaldo legislativo.
Para analistas, a iniciativa amplia o uso inédito das Forças Armadas em operações que antes cabiam à Guarda Costeira e à polícia, transformando a retórica da “guerra às drogas” em guerra literal.
Há temores de que a estratégia evolua para ataques dentro do território venezuelano, alimentando especulações de intervenção contra Maduro.
A escalada militar no Caribe abre uma perigosa avenida para aventuras bélicas que ameaçam a soberania regional.
Ao flertar com um ataque direto a Caracas, Trump desafia não só a Venezuela, mas toda a arquitetura de paz da América Latina.
O risco é que a retórica eleitoral e belicista de Washington empurre o continente para um conflito de consequências incalculáveis.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




