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EUA atingem 140 alvos e ampliam risco ao agro do Paraná

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou neste domingo, 12 de julho, que forças americanas atingiram cerca de 140 alvos militares no Irã. Teerã respondeu com mísseis e drones contra instalações ligadas aos Estados Unidos em países do Golfo, enquanto a Guarda Revolucionária declarou novamente fechado o Estreito de Ormuz. A escalada amplia o risco sobre petróleo, diesel, fretes, seguros marítimos e fertilizantes recebidos pelo Paraná.

Ormuz, porém, não está completamente bloqueado. O Irã afirma que a passagem permanecerá fechada até o fim da interferência americana na região, mas o Centro Conjunto de Informações Marítimas (JMIC) informou que a rota sul, próxima às águas de Omã, continua disponível e foi ampliada para tráfego nos dois sentidos. O órgão classificou a ameaça marítima como severa e advertiu os navegadores sobre risco de minas e abordagens de forças navais.

A resposta correta à pergunta do leitor é, portanto, mais complexa que o anúncio iraniano: Ormuz está sob restrição militar, ataques e forte redução do tráfego, mas ainda existe um corredor operacional. A capacidade de passar não elimina o risco de ataque, interrupção da viagem, aumento do seguro ou recusa de armadores em aceitar determinadas cargas.

O navio identificado no episódio que provocou a nova ofensiva americana é o GFS Galaxy, porta-contêineres de bandeira cipriota atingido próximo à costa de Omã. A embarcação sofreu incêndio e danos graves na casa de máquinas. Dos 11 tripulantes indianos, dez foram resgatados e um continuava desaparecido. O Irã também afirmou ter imobilizado uma segunda embarcação, mas não divulgou nome nem apresentou confirmação independente.

Segundo o Centcom, os 140 alvos incluíram posições de lançamento de mísseis e drones, depósitos de munição, equipamentos de comunicação e outras instalações militares. A rodada elevou para mais de 300 o número de alvos anunciados pelos Estados Unidos em três noites de ataques. O total divulgado é uma informação do comando americano e não possui verificação independente dentro do território iraniano.

O Irã retaliou contra países que abrigam forças ou estruturas militares americanas. Autoridades do Qatar informaram a interceptação de ataques e três feridos por estilhaços. Kuwait também acionou suas defesas, três mísseis iranianos atingiram áreas da Jordânia sem deixar feridos e drones atacaram a região de Musandam, em Omã. Sirenes foram disparadas no Bahrein.

A disputa militar ocorre sobre a principal passagem petrolífera do planeta. No primeiro semestre de 2025, cerca de 20,9 milhões de barris de petróleo e derivados cruzaram Ormuz por dia, volume equivalente a aproximadamente 20% do consumo mundial de líquidos petrolíferos. O estreito também concentrou cerca de um quinto do comércio mundial de gás natural liquefeito.

O petróleo Brent fechou a sexta-feira, 10 de julho, cotado a US$ 76,01 por barril. A cotação recuou 0,38% no dia, mas acumulou alta de 5,5% na semana. Esse preço antecede o ataque aos 140 alvos e a retaliação regional. A abertura dos mercados após a escalada mostrará se compradores e operadores acrescentarão novo prêmio de guerra ao barril.

Ainda não existe fundamento para calcular quanto o diesel subirá no Paraná. O preço depende da duração dos ataques, do fluxo efetivo de navios, das cotações internacionais, do câmbio, das importações brasileiras, da política comercial da Petrobras, dos impostos e das margens de distribuição.

O risco é concreto porque o Brasil não produz internamente todo o diesel que consome. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estimou dependência externa de 26% para o diesel A em 2025. A última decisão da Petrobras, anunciada em 30 de junho, manteve o valor médio líquido às distribuidoras em R$ 3,30 por litro a partir de 1º de julho, após uma redução acompanhada pelo fim de um desconto temporário do mesmo valor. Não foi anunciado reajuste relacionado aos ataques de 12 de julho.

Para o Paraná, o segundo ponto sensível são os fertilizantes. O Porto de Paranaguá movimentou 11,14 milhões de toneladas desses produtos em 2024 e permanece como principal corredor brasileiro de entrada de adubos. A escala da operação transforma qualquer alteração de frete, seguro, prazo de viagem ou disponibilidade de navios em problema para cooperativas, tradings e produtores.

Isso não significa que todo fertilizante comprado pelo Paraná atravesse Ormuz. A exposição direta depende do país de origem, do porto de embarque e da rota contratada. A lista histórica de fornecedores de Paranaguá inclui Rússia, China, Canadá, Marrocos, Estados Unidos, Belarus, Egito, Qatar, Argélia e Nigéria. Apenas cargas embarcadas dentro do Golfo Pérsico dependem necessariamente do estreito, embora o aumento do seguro marítimo possa atingir contratos de outras rotas.

Quatro informações precisam ser apresentadas ao Paraná para que o risco seja medido em dinheiro: quais navios destinados a Paranaguá estão no Golfo; quantas cargas tiveram rota ou data alterada; qual volume de fertilizantes da próxima safra já foi contratado em portos dependentes de Ormuz; quais seguradoras reajustaram os prêmios de guerra.

A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina deve divulgar navios, atrasos e mudanças de rota. A Organização das Cooperativas do Paraná precisa informar o grau de cobertura dos contratos de fertilizantes. A Federação da Agricultura do Estado do Paraná deve estimar a parcela dos custos ainda aberta para a próxima safra. Distribuidoras de combustíveis, armadores e seguradoras precisam separar aumento comprovado de mera antecipação especulativa.

A guerra mudou de escala, mas a conta paranaense ainda não está fechada. A passagem permanece aberta sob ameaça severa, um navio foi identificado como atingido e o petróleo ainda não incorporou integralmente os ataques deste domingo. A resposta responsável é acompanhar navios, contratos, cotações e seguros, sem transformar risco militar em aumento imaginário na bomba ou no adubo.

Acompanhe no Blog do Esmael a cobertura da guerra no Golfo e seus efeitos sobre o Paraná, o diesel, o frete e a produção de alimentos.

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