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Escala 6 x 1 amplia peso da dupla jornada feminina

O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência da República, recolocou no centro do debate sobre jornada de trabalho um ponto que a elite econômica costuma varrer para baixo do tapete: a escala 6 x 1 pesa ainda mais sobre as mulheres, porque a exploração no emprego formal quase sempre continua dentro de casa, na forma de cuidado, limpeza, alimentação e organização da vida familiar. Em relatos reunidos pela Secretaria-Geral, trabalhadoras e estudantes descrevem uma rotina exaustiva que ajuda a explicar por que o fim desse modelo virou bandeira social, trabalhista e também política do governo Lula.

A estreia do Debate na Rua, em Teresina (PI), incorporada à ação Governo do Brasil na Rua, serviu justamente para isso: tirar a discussão do gabinete e levá-la ao cotidiano real de quem acorda cedo, pega condução, trabalha seis dias por semana e ainda cumpre uma segunda jornada invisível ao voltar para casa. No encontro, Guilherme Boulos afirmou que a proposta defendida pelo governo reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso por semana e sem corte salarial.

Os depoimentos divulgados pela Secretaria-Geral são eloquentes.

Amanda, de 23 anos, moradora do Distrito Federal, relatou que começa o dia às 5h30, trabalha em uma escola de Brasília até as 15h, volta para casa para arrumar a rotina doméstica e ainda segue para a faculdade, encerrando o dia depois das 22h30. Para ela, um dia livre a mais por semana significaria menos sobrecarga e algum espaço para autocuidado, descanso e estudo.

Róssia, de 59 anos, aposentada, descreveu a mulher como alguém submetida a “super tarefas”, dividida entre trabalho, cuidado dos filhos, acompanhamento familiar e administração da casa. No relato, ela sustenta que a escala 6 x 1 afeta ainda mais as mulheres e adoece quem atravessa diferentes ciclos da vida, como gestação, maternidade e menopausa.

Marisa, estudante de fisioterapia, contou que precisou reorganizar a própria vida de trabalho para conseguir continuar estudando. Segundo ela, a escala apertada impede até mesmo de acompanhar o crescimento dos filhos. Sua frase resume o drama de milhões de brasileiras: quando sobra apenas o domingo, o dia de folga vira faxina, não vira vida.

É aí que o debate ganha dimensão maior.

A defesa do fim da escala 6 x 1 não trata apenas de conforto ou conveniência. Trata-se de saúde pública, valorização do trabalho, produtividade com dignidade e redistribuição mínima do tempo social. No caso das mulheres, trata-se também de enfrentar uma desigualdade estrutural: o mercado cobra jornada integral, mas a sociedade continua empurrando sobre elas a maior parte do trabalho de cuidado.

Na abertura do Debate na Rua, Boulos sintetizou esse ponto ao dizer que muitas mulheres trabalham seis dias por semana e, mesmo assim, seguem trabalhando em casa, sem tempo para viver, conviver com a família ou usufruir do próprio lazer. Ao responder uma pergunta feita por uma participante preocupada com eventual perda de renda, o ministro afirmou que a proposta defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prevê dois dias de descanso semanais sem redução de salário.

O tema interessa diretamente ao Paraná e ao restante do país.

Na terça-feira (10), a Bancada de Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), formada por parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Partido Democrático Trabalhista (PDT), promove audiência pública em Curitiba para discutir o fim da escala 6 x 1 e a redução da jornada. O assunto deixou de ser pauta sindical restrita e passou a disputar opinião pública, redes sociais, base parlamentar e a própria narrativa da eleição de 2026. Quando a vida concreta do trabalhador entra no centro da política, a velha lógica do “mercado decide tudo” começa a perder blindagem.

O que emerge desse debate é simples e poderoso: a jornada 6 x 1 sustenta um modelo de país que consome o tempo de quem trabalha e castiga ainda mais as mulheres, sobretudo as mais pobres. Mexer nisso é mexer na correlação de forças entre capital, trabalho e cuidado. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

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