Um dos marcos do movimento estudantil brasileiro e da constituição de 1988, foi a adição do direito de voto aos jovens. Assim, juntamente do voto secreto e obrigatório para os cidadãos de 18 até 70 anos, todos com 16 e 17 anos conquistaram o poder de escolher seus representantes políticos.
A campanha “Meu Primeiro Voto” é a principal aposta da Justiça Eleitoral para engajar adolescentes nas eleições de 2026. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e os Tribunais Regionais Eleitorais, a exemplo do TRE-PR, estão mobilizando escolas, redes sociais e influenciadores para convencer jovens de 16 e 17 a participarem do processo democrático.
O voto no Brasil é facultativo para quem tem entre 16 e 17 anos, mas a campanha busca transformar essa possibilidade em prática. O TSE reforça que adolescentes de 15 anos já podem solicitar o título, desde que completem 16 até o dia da votação, marcada para 4 de outubro de 2026. O encerramento do cadastro eleitoral ocorre 150 dias antes do pleito, de acordo com o artigo 91 das Lei das Eleições.
Os atendimentos eleitorais podem ser feitos de modo on-line (Autoatendimento eleitoral — Tribunal Superior Eleitoral) ou presencialmente nos Cartórios Eleitorais do Paraná.
O programa “Meu Primeiro Voto” se soma a outras iniciativas, como cartilhas educativas lançadas por tribunais regionais, a exemplo do TRE-SP, que distribuiu o Guia do Jovem Eleitor com linguagem simples sobre segurança das urnas e importância da cidadania. A ideia é aproximar os jovens da política e combater a desinformação que circula nas redes.
Juntamente das práticas que incentivam o brasileiro juvenil a tirar o título de eleitor, a Semana do Jovem Eleitoral foi aberta pelo TRE-PR no dia 10 de novembro e realizou cerca de 2,8 mil atendimentos em 21 cidades.
Um dos locais que inaugurou essa Semana do Jovem Eleitor, foi o Colégio Júlia Wanderley, em Curitiba, que contou com a presença do presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, o desembargador Sigurd Roberto Bengtsson.
Durante a atividade que frisa aos estudantes a importância da participação nas eleições, Sigurd afirmou que: “Estamos em contato com o jovem para que ele seja eleitor e participe da vida política paranaense e brasileira.”
Nos bastidores, ministros do TSE avaliam que a adesão juvenil pode ser decisiva em disputas apertadas. Em 2022, mais de 2 milhões de adolescentes se cadastraram para votar, um recorde histórico. A expectativa é repetir o feito em 2026, com apoio de campanhas digitais e parcerias com artistas e influenciadores.
A título de comparação, a distância no segundo turno entre Lula e Bolsonaro foi de apenas 2,1 milhões de votos, segundo o TSE. O petista obteve 50,90% contra 49,10% do ex-presidente nas eleições de 2022. Portanto, no próximo embate eleitoral a participação jovem poderá ser decisiva.
A campanha também dialoga com a realidade escolar. Professores são incentivados a promover debates sobre democracia e cidadania, mostrando que o voto é mais do que um direito: é uma forma de influenciar diretamente os rumos do país.
O desafio é convencer uma geração conectada com a internet, muitas vezes descrente da política, de que sua participação importa. O “Meu Primeiro Voto” aposta em linguagem jovem, memes e vídeos curtos para disputar espaço com o entretenimento digital.
O Brasil, ao permitir o voto facultativo já aos 16 anos, se diferencia de democracias consolidadas como Estados Unidos e França, onde a idade mínima é 18. Essa abertura reforça o caráter inclusivo da democracia brasileira e dá aos adolescentes a chance de serem protagonistas. Agora, a luta é convencer os jovens paranaenses de que seu voto pode mudar o resultado das eleições de 2026.
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