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Em entrevista à revista VEJA, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) escancarou o plano da extrema-direita para as eleições de 2026: tensionar as instituições, deslegitimar o Supremo Tribunal Federal e pavimentar o retorno de Jair Bolsonaro ao centro da arena política — ainda que inelegível.
O discurso de Eduardo, marcado por ataques diretos ao ministro Alexandre de Moraes, insere-se na estratégia de vitimização e confronto institucional. Segundo ele, há uma escalada de “abusos sucessivos” do STF, sobretudo em relação às investigações que envolvem seu pai e apoiadores, como os inquéritos das fake news e dos atos golpistas de 8 de janeiro.
“Ao invés de preservar direitos, Moraes usa o poder para perseguir adversários políticos”, disparou o parlamentar, ecoando o discurso de perseguição sistemática que já se tornou mantra do bolsonarismo.
Linha direta com a base radical
Eduardo não está falando apenas para a imprensa — ele fala diretamente ao núcleo duro da militância bolsonarista. Ao repetir que o “Brasil deveria ter tido a destituição de Moraes em 2023”, o deputado sinaliza à base que segue fiel ao projeto original: transformar as instituições em inimigos a serem combatidos.
Ele acusa o STF de romper a neutralidade política e afirma que o Judiciário “atua como oposição informal ao Congresso”. As falas vêm num momento em que crescem as investidas bolsonaristas para reocupar espaços na Câmara e no Senado, com vistas à montagem de uma frente eleitoral robusta em 2026.
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Plano autoritário e internacionalização
O filho 03 de Bolsonaro também criticou o TSE e afirmou que o sistema eleitoral brasileiro não é confiável. Mesmo sem apresentar provas, voltou a defender pautas como o voto impresso auditável e questionou a segurança das urnas eletrônicas. É uma reciclagem dos mesmos argumentos usados em 2022 — agora, com nova roupagem para manter viva a indignação do eleitorado de direita.
Em tom alarmante, Eduardo elogiou o modelo salvadorenho de Nayib Bukele, conhecido por medidas autoritárias, encarceramento em massa e militarização da política. “É um exemplo de como tratar o crime com firmeza”, disse.
A defesa da pauta punitivista — e da chamada “mão de ferro” — revela que o bolsonarismo prepara terreno para disputar 2026 sob a bandeira da ordem e do combate à criminalidade. Mais que isso: mira em uma espécie de “Trump tropical”, com apoio internacional e retórica antissistema.
Jair Bolsonaro como “única liderança”
Para Eduardo, não há direita viável no Brasil sem Jair Bolsonaro. “Ele é o líder. Onde a gente anda, o clamor segue o mesmo”, declarou. A fala reafirma que o ex-presidente segue como peça central no tabuleiro da extrema-direita — mesmo com seus direitos políticos suspensos até 2030.
Ao ser perguntado sobre uma possível nova liderança, Eduardo desconversou. Isso mostra que o clã Bolsonaro não trabalha com a hipótese de renovação interna. Ao contrário: está disposto a manter a narrativa de que são vítimas de um sistema corrompido, ao qual resistem em nome da “liberdade”.
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Tensão pré-eleitoral
A entrevista de Eduardo Bolsonaro serve como termômetro do projeto político bolsonarista. A tática segue intacta: criar tensão com o STF, alimentar teorias conspiratórias, atacar a imprensa e promover discursos de ruptura. Ao mesmo tempo, articula alianças com nomes como Tarcísio de Freitas e Romeu Zema — tentando preservar uma imagem de “moderação institucional” que o próprio discurso contradiz.
O Blog do Esmael acompanha com lupa essa movimentação. O Brasil se vê diante de um dilema perigoso: institucionalizar a barbárie sob o verniz democrático ou reafirmar o Estado de Direito como único caminho legítimo.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




