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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino decidiu, nesta segunda-feira (18), que leis, atos administrativos e ordens executivas de outros países não produzem efeitos no Brasil, nem sobre pessoas, empresas ou bens situados no território nacional.
Contexto da decisão
O caso foi provocado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que contestou a atuação de municípios brasileiros em tribunais do Reino Unido em ações relacionadas aos desastres de Mariana (2015) e Brumadinho (2019), ambos em Minas Gerais. Dino concluiu que entes locais não podem propor nem manter ações em cortes estrangeiras, sob pena de ferir a soberania nacional e a Constituição.
A decisão também atinge um debate mais amplo: responde de forma indireta à aplicação da Lei Magnitsky pelos Estados Unidos contra o ministro Alexandre de Moraes, acusado pelo governo Donald Trump de perseguir Jair Bolsonaro (PL) no processo por tentativa de golpe de Estado em 2022. Sem citar diretamente a lei americana, Dino blindou o sistema jurídico brasileiro de medidas unilaterais.
Soberania em foco
“Leis estrangeiras, atos administrativos, ordens executivas e diplomas similares não produzem efeitos em relação a pessoas naturais, relações jurídicas ou bens situados no Brasil”, escreveu Dino. Ele reforçou que só tratados ratificados pelo Congresso ou decisões homologadas pelo STF e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) podem ter validade.
Na prática, Dino avisou ao sistema financeiro, ao Banco Central e à Febraban que empresas não poderão aplicar restrições derivadas de sanções externas, como bloqueio de contas ou suspensão de contratos, sem autorização judicial brasileira. É um recado direto às pressões vindas da Casa Branca.
Relação com o caso Moraes
O Blog do Esmael já havia mostrado que as sanções de Trump contra Moraes abriram um precedente perigoso de ingerência internacional no Judiciário brasileiro. Ao classificar tais medidas como “ofensa à soberania nacional, à ordem pública e aos bons costumes”, Dino forneceu um escudo institucional contra interferências externas, em linha com a reação de Lula e de Gleisi Hoffmann quando criticaram o tarifaço e as sanções unilaterais impostas pelos EUA.
Bastidores políticos
A decisão foi lida como a primeira resposta orgânica do STF à Lei Magnitsky. Dino, ex-ministro da Justiça e hoje integrante da Corte, convocou audiência pública para debater o tema e deixou claro que o tribunal não aceitará ser refém de instrumentos de lawfare estrangeiro.
Nos bastidores, ministros afirmam que a medida não elimina totalmente riscos de bloqueios bancários contra Moraes, mas cria um precedente forte de resistência. A posição também foi comunicada a bancos e entidades financeiras, reforçando que eventuais descumprimentos deverão ser submetidos ao Supremo.
Soberania nacional em foco
Ao blindar o país contra atos externos, Dino recoloca a soberania nacional como cláusula pétrea em meio às pressões internacionais, da mineração britânica às sanções de Trump. A decisão eleva o tom da resposta brasileira ao lawfare e sinaliza que o STF não admitirá tutela estrangeira sobre seus magistrados nem sobre municípios.
O Blog do Esmael avalia que a decisão fortalece o sistema de freios e contrapesos no Brasil e será testada em breve pelo embate com os EUA. O debate é apenas o início de uma disputa que vai muito além de Mariana ou Brumadinho: trata-se de até onde o Brasil aceita a ingerência de potências estrangeiras.
Leia também no Blog do Esmael: Prisão de Bolsonaro surpreende Trump, que esperava recuo de Moraes; Xandão aposenta cartão americano e usa Elo brasileiro; Trump sanciona mulher de Moraes e Dino reage sobre validade de lei estrangeira

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




