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Fed mantém juros e dissidência por alta amplia cautela

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O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve nesta quarta-feira (29) a taxa básica entre 3,5% e 3,75% ao ano, mas a decisão dividida revelou pressão interna por juros maiores. Três dos 12 integrantes votantes defenderam alta de 0,25 ponto percentual, sinal que pode sustentar a cautela dos mercados e afetar dólar, crédito e custos de produção no Paraná.

A decisão foi aprovada por 9 votos a 3 pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc). Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan votaram pelo aumento da taxa para uma faixa entre 3,75% e 4% ao ano.

O resultado está no comunicado oficial divulgado pelo Federal Reserve. A reunião de julho não incluiu novas projeções econômicas dos integrantes do Fomc.

Divergência pede juros maiores

O Fed afirmou que a atividade econômica dos Estados Unidos continua em expansão sólida, apesar da incerteza elevada associada, em parte, ao conflito no Oriente Médio. O banco central também registrou crescimento forte da produtividade e dos investimentos, estabilidade relativa do desemprego e inflação ainda acima da meta de 2%.

A divergência em favor de uma alta é a principal mudança política da decisão. Na reunião de junho, a manutenção havia sido aprovada por unanimidade. Agora, um quarto dos votantes considerou necessário apertar imediatamente a política monetária diante das pressões inflacionárias.

O presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou na declaração de abertura da entrevista coletiva que não existe uma meta informal de inflação acima de 2%. Ele reiterou o compromisso com a estabilidade dos preços e destacou a incerteza que cercou a reunião.

Warsh também chamou atenção para a elevação dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano desde o encontro anterior. Segundo ele, os juros de mercado reagiram aos dados econômicos e à redução das orientações antecipadas do Fed.

Decisão pode afetar dólar e crédito no Brasil

Para o Brasil, a manutenção evita aumento imediato da diferença entre os juros americanos e brasileiros. A votação dividida, porém, impede tratar o resultado como abertura automática para cortes futuros nos Estados Unidos.

Juros americanos elevados tornam os títulos dos Estados Unidos mais atraentes e podem reduzir o fluxo de capital para economias emergentes. Esse mecanismo pode aumentar a volatilidade do dólar, mas não determina sozinho o câmbio brasileiro, que também responde à situação fiscal, à inflação, aos juros internos, às commodities e ao cenário político.

Paraná sente efeito em fertilizantes, máquinas e cooperativas

No Paraná, eventual valorização do dólar encarece fertilizantes, defensivos, peças, máquinas agrícolas e outros insumos importados. O impacto chega ao produtor rural, às cooperativas e às agroindústrias conforme contratos, estoques, operações de proteção cambial e o momento das compras.

O custo financeiro das cooperativas também pode permanecer elevado quando o cenário internacional exige juros maiores para atrair recursos. O crédito rural brasileiro depende ainda das regras dos programas oficiais, das taxas administradas, da Selic e das condições oferecidas por bancos e cooperativas de crédito.

Combustíveis enfrentam uma combinação adicional de fatores. Petróleo, dólar, estoques, custos internos e política comercial da Petrobras participam da formação dos preços. A decisão do Fed, isoladamente, não permite antecipar reajuste de gasolina ou diesel.

A próxima reunião do Fomc está marcada para 15 e 16 de setembro e terá atualização das projeções econômicas. Até lá, inflação, emprego, atividade econômica e consequências do conflito no Oriente Médio deverão orientar o debate entre manutenção e aumento dos juros.

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