DC usa IA para testar Barbosa no vácuo de Flávio Bolsonaro

O Democracia Cristã (DC) transformou um vídeo feito com inteligência artificial (IA) em peça de pressão para lançar o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa (DC) à Presidência, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perde terreno no caso Master e Aldo Rebelo (DC) ameaça levar a briga interna do partido à Justiça.

A publicação saiu na sexta-feira (22), em um perfil de Instagram vinculado ao DC. A animação mostra Barbosa diante de telas com notícias recentes e usa a frase “Chegou a hora de virar a página” como ataque à polarização entre o presidente Lula (PT) e Flávio Bolsonaro.

O dado novo não é apenas o nome de Barbosa. É o método. A terceira via, que fracassou em 2018 e 2022 tentando nascer em reuniões de cúpula, agora aparece em vídeo de IA para fabricar presença, testar reação e forçar uma decisão partidária antes da convenção.

O movimento ocorre no buraco aberto pela crise de Flávio Bolsonaro. A pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (22) mostrou Lula com 47% contra 43% de Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno. Na rodada anterior, os dois apareciam empatados em 45%.

O Blog do Esmael registrou que o levantamento foi feito após reportagens sobre a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, no financiamento do filme “Dark Horse”. Flávio Bolsonaro nega irregularidades.

É nesse intervalo político que Barbosa volta ao jogo. O ex-ministro carrega a memória pública do julgamento do mensalão, quando se tornou conhecido por condenações de políticos e empresários. Para o DC, esse currículo pode falar com o eleitor que rejeita Lula e também desconfia do bolsonarismo atingido pelo Master.

Mas a candidatura ainda está longe de ser fato fechado. O próprio partido está rachado. O DC havia lançado Aldo Rebelo como pré-candidato ao Planalto no começo de 2026, antes de o presidente nacional da legenda, João Caldas da Silva, anunciar Barbosa como alternativa.

Aldo reagiu dizendo que a “pré-candidatura que existe é a minha” e que a decisão deve passar pela convenção partidária. Ele também afirmou que pode judicializar o caso se a direção tentar removê-lo por decisão de cima para baixo.

O calendário eleitoral reforça esse ponto. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) prevê que partidos e federações realizem convenções entre 20 de julho e 5 de agosto de 2026 para escolher candidatos a presidente, vice, governador, senador e deputados.

No registro oficial do TSE, o DC aparece com João Caldas da Silva como presidente nacional em exercício. Isso dá peso formal à movimentação da direção, mas não elimina a disputa interna nem resolve a pergunta central: Barbosa aceitou ser candidato ou está sendo usado como peça de pressão contra Aldo?

Barbosa se filiou ao DC em 2 de abril de 2026. Mesmo assim, o ponto decisivo continua pendente: transformar filiação, vídeo e anúncio partidário em candidatura real, com convenção, campanha, discurso próprio e sustentação política fora da bolha digital.

A crise do DC mostra que a direita não bolsonarista tenta ocupar o espaço antes que Flávio Bolsonaro reorganize a própria defesa. O uso de IA resolve o problema da imagem, mas não resolve o problema político: sem candidato assumido, sem partido pacificado e sem convenção, Barbosa ainda é mais balão de ensaio do que nome consolidado.

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