Curitibanos dançam após carnaval com aumento na tarifa de ônibus

A “tarifa técnica” é sinônimo de transferência de dinheiro público da sociedade para os empresários do transporte coletivo privado

O prefeito de Curitiba, Rafael Greca (DEM), anunciou aumento na passagem de ônibus de R$ 4,50 para R$ 5,50. O novo valor da tarifa começa a valer nesta terça-feira, 1º de março, após o carnaval.

Ou seja, os curitibanos dançaram em 20% após as folias de carnaval enquanto nenhuma categoria profissional conseguiu aumento real dessa magnitude. Pelo contrário. Os trabalhadores não têm aumento salarial desde a derrubada de Dilma Rousseff (PT) e da precarização da mão de obra pela reforma trabalhista.

O tarifaço de Greca segue as mesmas pegadas do governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), que impõe tarifas escorchantes para os consumidores de água e luz ao mesmo tempo que o Palácio Iguaçu planeja R$ 17 bilhões de isenções fiscais para grandes empresas.

No transporte coletivo de Curitiba e da Região Metropolitana, a exemplo do município de Araucária, não é diferente. Nessas plagas os subsídios ganham a etiqueta de “tarifa técnica” para enganar o desavisado cidadão.

[Em Araucária, onde o quilômetro rodado custa em média R$ 7 enquanto o usuário paga R$ 1,70. Lá, a prefeitura entra com subsídio de R$ 4,30.]

Na capital paranaense, a “tarifa técnica” está em R$ 6,36 – segundo o Paço 29 de Março.

A Prefeitura de Curitiba afirma que o sistema transporta uma média de 500 mil passageiros por dia. Isto significa que R$ 6,9 milhões são mensalmente subsidiados para os empresários do transporte público. Esse valor anual chega a 82,8 milhões.

A “tarifa técnica”, o subsídio, é aquela rua que nunca sai no bairro da periferia; a falta de creches e unidades de saúde; é dinheiro que sai do orçamento do curitibano para entrar no bolso das empresas de ônibus.

Resumo da ópera: sob Greca, os curitibanos vão dançar com o novo aumento na tarifa de ônibus.