Curitiba começa em 29 de julho a liberar mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia no Sítio Cercado. Chamados de wolbitos, eles têm capacidade reduzida de transmitir dengue, zika e chikungunya, mas não eliminam o mosquito nem substituem o combate à água parada.
A primeira soltura está marcada para as 11 horas, na Praça Professora Marli Queiroz de Azevedo, no Distrito Sanitário Bairro Novo. A fase experimental deve durar cerca de 26 semanas.
Como a Wolbachia funciona
A bactéria dificulta o desenvolvimento dos vírus dentro do Aedes aegypti. Quando os wolbitos se reproduzem com mosquitos locais, a Wolbachia passa aos descendentes e aumenta gradualmente a parcela de insetos com menor capacidade de espalhar doenças.
O método não envolve modificação genética. A Wolbachia existe naturalmente em muitas espécies de insetos, embora não apareça de forma natural no Aedes aegypti.
No Sítio Cercado, uma área receberá mosquitos adultos soltos por equipes; outra usará dispositivos com ovos, água e alimento. Armadilhas e análises laboratoriais acompanharão qual estratégia funciona melhor nas condições urbanas de Curitiba.
Prefeitura ainda deve detalhar custo e rotas
A administração municipal não publicou o número de mosquitos, a frequência das solturas, as ruas de cada rota nem metas numéricas para avaliar a experiência. O custo total e eventual desembolso municipal no acordo também precisam ser informados.
A cooperação reúne Prefeitura, Wolbito do Brasil, Instituto de Biologia Molecular do Paraná e World Mosquito Program. A participação federal difere de cidades incluídas diretamente pelo Ministério da Saúde, porque Curitiba não atendia ao critério nacional de infestação.
A cidade registrou queda de 94% nos casos de dengue entre janeiro e 20 de julho de 2026, na comparação anual. Essa redução antecede a liberação e não pode ser atribuída aos wolbitos.
A experiência em outras cidades indica potencial, não garantia de repetição local. O resultado dependerá da cobertura das solturas, da presença estável da bactéria e do monitoramento epidemiológico.
Moradores devem continuar tampando caixas-d’água, limpando calhas e eliminando recipientes. Acompanhe as informações de saúde pública, as políticas municipais de Curitiba e a cobertura do Paraná.
A Wolbachia pode reduzir a transmissão; não representa erradicação da dengue e não autoriza relaxar as medidas sanitárias permanentes.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




