Curitiba completa 333 anos com memória, charme e teimosia

Curitiba completa 333 anos neste domingo (29). Fundada oficialmente em 29 de março de 1693, quando foi instalada a antiga Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, a capital paranaense chega à data com a elegância de quem mudou muito, mas ainda guarda traços de origem no Centro, nas praças, nos bairros e no jeito contido de existir.

Há 13 anos, o Blog do Esmael chamou Curitiba de “lindona”. O apelido continua de pé. Não por saudosismo barato, mas porque a cidade segue capaz de juntar memória e movimento, rigor e afeto, pinhão e inovação, silêncio de inverno e pressa de metrópole. Na homenagem de 2013, o blog já via uma capital amadurecida, acolhedora e consciente da própria força. Aos 333, essa leitura continua atual.

Curitiba não nasceu pronta. A cidade passou pela mineração e pela agricultura de subsistência, cresceu no ciclo tropeiro, recebeu levas de imigrantes e foi moldando uma identidade urbana muito própria, feita de trabalho, mistura cultural, planejamento e uma certa mania de organizar o caos. Essa história explica por que Curitiba não cabe num cartão-postal. Ela é mais interessante do que isso.

Hoje, com população estimada em 1.830.795 habitantes, Curitiba segue como a maior cidade do Sul do país. É grande o bastante para carregar contradições de metrópole, mas ainda reconhecível na feira do bairro, na conversa do café, na Rua XV, no Barigui lotado, no Largo da Ordem, no ônibus cheio e naquela velha capacidade de transformar rotina em paisagem.

A festa dos 333 anos também ajuda a contar essa cidade. A programação oficial espalhou atividades por Curitiba e concentrou no fim de semana shows, esporte, culinária típica e eventos culturais. Neste domingo, o aniversário ganhou edição especial do Domingo no Centro, além de apresentações gratuitas na Rua XV. Ontem (28), a celebração ainda passou pela Camerata Antiqua, pela Copa do Brasil de Beach Soccer e até pela “maior carne de onça do mundo”, servida em 333 fatias no Capão Raso, numa mistura que só Curitiba saberia chamar de identidade.

Curitiba também não merece homenagem chapada, dessas que fingem perfeição. A cidade cobra. A cidade separa. A cidade expulsa muita gente para longe do próprio centro. A cidade, às vezes, posa demais para a foto. Mas é justamente por ser real, desigual, exigente e viva que continua despertando pertencimento. Quem ama Curitiba não ama um folheto turístico. Ama uma cidade de verdade.

Aos 333 anos, Curitiba segue linda, sim, mas segue sobretudo inteira. Inteira na memória de quem nasceu aqui, na esperança de quem chegou depois e na teimosia de continuar sendo referência sem abrir mão da própria alma. Parabéns, Curitiba.

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Pimentel veste a camisa dos 333 anos de Curitiba. Foto: Valquir Kiu Aureliano/SECOM

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