13 de abril de 2016
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Coluna do Rafael Greca: Curitiba não se resume à desventura, Curitiba é Luz dos Pinhais

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Rafael Greca*

Terminei meu novo livro. “Luz dos Pinhais, História e Estórias de Curitiba“. Será publicado, ainda este ano, pela editora Solar do Rosário. São 99 capítulos, aproximadamente 600 páginas, onde reúno apontamentos para o estudo da mentalidade curitibana. Alegria pelo dever cumprido para com minha terra e minha gente.

Nas palavras deste livro, a Luz dos Pinhais vai revogando a escuridão e o silêncio da noite dos tempos em que jaziam imersas as terras que servem de berço ao rio Iguaçu. Acredito em Dante Alighieri quando diz que a “escuridão é o silêncio da luz”.

Invocamos a mesma Luz dos Pinhais para resgatar das névoas do esquecimento a memória coletiva de um povo singular: os curitibanos.

Aqui nascidos, ou que aqui escolheram viver. É extensa a bibliografia sobre a cidade de Curitiba, o povoamento da região da capital do Paraná, no vale do rio Iguaçu.

Ponto de passagem do Caminho do Peabirú, trilha indígena pré-cabralina, Curitiba fez-se marco da ocupação portuguesa do Brasil Meridional.

Já em 1639, o governador ibérico de São Paulo, autoriza a “posse dos Campos do rio Mbyrigüi” (o nosso atual rio Barigüi) em favor de Matheus Luiz Grou.

A “entrada” em território até então espanhol, favoreceria após a restauração do Reino de Portugal (em 1640)*, a revogação do Tratado de Tordesilhas (1492) pelos Tratados de Madrid (1750), Tratado de El Pardo (1762) e depois o Tratado de Santo Ildefonso (1777). O princípio de “uti posedetis”, usando Curitiba como cunha de penetração, seria o principal a Leia mais

25 de novembro de 2015
por admin
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Coluna do Rafael Greca: Curitiba, a Luz e o apagão

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Rafael Greca*

Na mesma semana que a Prefeitura anunciou “melhorias” na iluminação pública, por ironia denunciadora, Curitiba ficou sem luz nas ruas centrais.

Apagou, por exemplo, a rua de São Francisco, no Centro Histórico, uma das ruas mais antigas da cidade, uma das primeiras, senão a primeira, a receber o essencial serviço de iluminação pública.

Foram cinco dias sem luz e um com a iluminação oscilando: terça,17, no escuro; quarta,18, no breu; sexta, 20, no escuro ; sábado, 21, no breu; domingo, 22, no escuro; na quinta,19, no pisca-pisca, a luz piscava, ia-se e voltava.

Não venha a Prefeitura anunciar, no festim de desculpas esfarrapadas e debochadas que financia nas redes sociais, que o apagão-pisca-pisca na rua de São Francisco foi algum tipo de decoração natalina. Paciência tem limites.

Assim como a comunicação social de uma prefeitura, iluminação pública é coisa muito séria para ser levada no deboche, na galhofa, em tom descompromissado de quem força a risada para fugir da responsabilidade.

Lá na São Francisco, o comércio local fechou em desalento. Bares, restaurantes, pizzarias, teatros e lojas fecharam mais cedo, perderam movimento, perderam clientes, ficaram sem faturar. Os moradores viveram noites de medo. E os agentes da insegurança pública imediatamente ocuparam o território liberado.

Se a rua às claras já inspira cuidados, sem o devido policiamento; às escuras, no breu, ficou como o diabo gosta: embriagados e drogados multiplicaram-se. Paisagem de pane e pânico.

Quem se aventurou a ligar para o telefone 156 — telefone de reclamações da Prefeitura — ouvia: “a culpa é da Copel”. A boa notícia: ninguém engoliu mais essa mentira. Dentro das casas havia luz. Só faltava energia na rua.

A iluminação pública é atribuição da Prefeitura Municipal, que cobra para tal uma taxa lançada junto ao talão de IPTU. Seria culpa da Copel se a rede elétrica de todo o centro histórico tivesse caído. Mas, como já falamos, havia luz nas residências.

Esta cena de luminárias e postes apagados, nos remete à indesejável memória da sexta-feira, 9 de outubro, quando a curitibana Maria Ferreira Ribas, de 59 anos, ficou gravemente ferida, com traumatismo craniano, depois de ser atingida por um poste enferrujado da esquina da Rua 15 com João Negrão.

Os postes enferrujados ainda estão em corrosão, 152 ao todo, feitos por mim quando prefeito em 1993, para iluminar no estilo que Curitiba merece e exige o calçadão da 15.

Dona Maria Ferreira Ribas felizmente foi salva por pronto socorro do Hospital Evangélico. Está em sua casa em Uberaba, em estado que inspira cuidados, até hoje, faz severa fisioterapia, sem qualquer apoio dos debochados da ‘Prefs’ insensível.

Esse apagão é um símbolo. Não é Leia mais