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Correios captam R$ 12 bilhões e iniciam virada financeira

Os Correios anunciaram a captação de R$ 12 bilhões em crédito como eixo central do Plano de Reestruturação 2025–2027, desenhado para estancar a crise de caixa, recuperar a operação e recolocar a estatal numa rota sustentável. A empresa projeta reduzir R$ 5 bilhões em despesas até 2028 e voltar ao azul a partir de 2027.

O anúncio foi feito em Brasília pelo presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, que apresentou a operação como ponto de inflexão após anos de deterioração financeira. Do total captado, R$ 10 bilhões entram até o fim de 2025 e R$ 2 bilhões até janeiro de 2026, garantindo liquidez imediata para quitar atrasos, normalizar contratos e recompor a confiança com fornecedores, empregados e clientes.

Segundo a direção, o plano parte de um diagnóstico duro. Déficit estrutural acima de R$ 4 bilhões por ano, patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões e prejuízo acumulado de R$ 6,057 bilhões até setembro de 2025. A combinação levou à queda de qualidade operacional e à perda de competitividade num mercado dominado por grandes players privados.

A estratégia inicial é de estabilização. A chamada Fase 1 busca interromper a espiral negativa herdada, reorganizar o fluxo financeiro e criar condições para executar as mudanças estruturais prometidas. A leitura interna é que sem crédito não haveria reestruturação possível.

Entre as medidas já anunciadas está a alienação de imóveis sem uso operacional. Após revisar toda a carteira imobiliária, a estatal estima levantar cerca de R$ 1,5 bilhão com a venda desses ativos, reduzindo despesas de manutenção e reforçando o caixa.

Outro pilar é a reabertura do Programa de Demissão Voluntária a partir de janeiro de 2026. O PDV pode alcançar até 15 mil empregados entre 2026 e 2027, com economia anual estimada em R$ 2,1 bilhões e impacto pleno a partir de 2028. A direção admite que a rigidez da folha se tornou um entrave para a sustentabilidade da empresa.

O plano também mexe em temas sensíveis, como o reequilíbrio do plano de saúde, com economia projetada de R$ 700 milhões por ano a partir de 2027, além da renegociação de passivos judiciais. Somadas, as ações de controle de gastos sustentam a meta de cortar R$ 5 bilhões em despesas até 2028, sob um modelo de governança com monitoramento permanente.

Na frente de crescimento, os Correios apostam na modernização. Estão previstos investimentos de R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030, com financiamento do Novo Banco de Desenvolvimento, o banco do Brics. Os recursos devem ir para automação de centros de tratamento, renovação e descarbonização da frota, atualização da infraestrutura de TI e redesenho da malha logística.

A estatal quer se reposicionar como um ecossistema integrado de logística, serviços digitais e financeiros. O plano inclui expansão no e-commerce, última milha, logística de saúde, integração internacional, agronegócio, seguros e conta digital. A projeção interna fala em mais de R$ 8 bilhões em novas receitas até 2029.

No discurso oficial, a reestruturação não é apenas contábil. A direção sustenta que os Correios seguem como ativo estratégico do Estado brasileiro, presentes em 100% dos municípios, com papel central na integração nacional e no acesso a serviços onde o mercado privado não chega.

A execução do plano será acompanhada de perto pelo governo federal, já que o sucesso ou fracasso da recuperação terá impacto político e econômico. Se der certo, a estatal centenária ganha fôlego para enfrentar a concorrência e cumprir sua missão pública. Se falhar, o debate sobre o futuro dos Correios volta ao centro da agenda nacional.

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