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Copom decide Selic e juro vira teste eleitoral para Lula, agro e comércio

O Comitê de Política Monetária do Banco Central decide nesta quarta-feira (17) se corta ou mantém a taxa Selic, atualmente em 14,50% ao ano, em uma reunião que saiu da planilha dos economistas e entrou no caixa do produtor rural, do comércio, da construção civil e da pré-campanha de 2026.

A decisão deve ser anunciada no início da noite, depois de dois dias de reunião. O Copom avalia os indicadores econômicos antes de definir a taxa básica de juros. A maioria dos economistas consultados espera corte de 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano.

O número parece pequeno. O efeito político não é.

Com Selic alta, o dinheiro fica mais caro para quem compra no cartão, parcela carro, financia casa, toma capital de giro, antecipa recebíveis ou precisa renovar dívida. No Paraná, isso bate em quatro frentes ao mesmo tempo: safra, cooperativas, varejo e pequenas empresas.

O produtor rural sente o juro na compra de máquinas, no custeio da lavoura, na armazenagem e na renegociação de dívida. As cooperativas sentem no financiamento da produção, da logística e da industrialização. O comércio de Curitiba e do interior sente na queda do consumo. A construção civil sente no crédito imobiliário, no custo da obra e na decisão da família que adia a compra da casa.

Por isso, a reunião do Copom não é apenas uma decisão técnica. Ela mede quem consegue respirar e quem seguirá pagando caro para girar a economia real.

O Banco Central usa a Selic para tentar controlar a inflação. Quando o juro sobe ou fica alto por muito tempo, o crédito encarece e o consumo perde força. O problema político aparece quando o remédio contra os preços altos também esfria emprego, investimento e renda.

Essa é a encruzilhada de Lula.

Se o Copom cortar pouco, o governo poderá dizer que o ciclo de queda começou, mas o eleitor continuará vendo juros pesados na fatura do cartão, no financiamento e no preço final do produto. Se o Copom fizer pausa, a oposição terá munição para dizer que a inflação ainda limita o governo. Se o corte vier em 0,25 ponto, como espera a maioria do mercado, a redução será mais simbólica do que suficiente para mudar a vida de quem depende de crédito.

A disputa de 2026 passa por esse bolso.

Lula tenta chegar à eleição com emprego, renda e consumo em trajetória favorável. A direita tenta colar no governo a conta da inflação, do juro e do endividamento das famílias. O agro cobra crédito previsível. O comércio cobra cliente com renda. A indústria cobra financiamento. O trabalhador cobra preço menor no mercado.

No Paraná, a Selic também tem endereço político.

Sergio Moro (PL), Ratinho Junior (PSD), Requião Filho (PDT), Gleisi Hoffmann (PT), Alexandre Curi (PSD), Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL) e Rafael Greca (MDB) disputarão o eleitor que não separa macroeconomia da vida concreta. Para esse eleitor, juro alto não é gráfico. É prestação, limite do cartão, aluguel, financiamento, boleto da empresa e preço do alimento.

O governo federal não decide sozinho a Selic, mas paga parte da conta política. O Banco Central tem autonomia formal. O eleitor, porém, costuma cobrar do presidente da República o resultado do conjunto: inflação, emprego, renda, crédito e crescimento.

A oposição sabe disso. O governo também.

É por isso que a decisão desta quarta-feira (17) interessa ao produtor de Cascavel, ao lojista de Curitiba, ao cooperado do Oeste, ao empreiteiro de Londrina, ao caminhoneiro de Ponta Grossa e ao consumidor que parcelou compras básicas. O Copom fala em política monetária. A rua entende como custo de vida.

Se o corte vier, será preciso medir se ele chega ao crédito. Se não chegar, o ganho ficará concentrado no discurso. Se a pausa prevalecer, a pressão sobre Lula aumentará justamente nos setores que movem a economia do Paraná.

A Selic virou teste eleitoral porque 2026 não será decidido apenas por palanque, aliança e rejeição. Será decidido também no preço do dinheiro.

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