Índice de Tópicos
O Banco Central e o embate sobre os juros altos
O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nos dias 18 e 19 de março para definir a nova taxa de juros Selic. Atualmente fixada em 13,25% ao ano, a taxa foi estabelecida em 29 de janeiro de 2025, após uma série de aumentos consecutivos. O mercado especula se haverá nova elevação ou se o Banco Central manterá a taxa em um patamar considerado elevado para os padrões internacionais.
A narrativa do Copom – que, na prática, age como um sindicato de banqueiros privados – é de que a alta dos juros ajuda a conter a inflação. Mas essa tese desmorona ao primeiro contato com a realidade. Basta o leitor visitar um supermercado para constatar que os preços seguem subindo, mesmo com a Selic nas alturas.
O Blog do Esmael vai acompanhar de perto esta reunião, em Brasília, na semana que vem.
O discurso da velha mídia e a pressão pela alta dos juros
Setores da grande imprensa já preparam o terreno para justificar uma possível nova alta da Selic. Os jornalões propagam que há risco de hiperinflação e que o remédio seria um arrocho monetário ainda maior.
Os dados mais recentes do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostram um aumento de 1,31% em fevereiro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse foi o maior patamar para um mês de fevereiro desde 2003 e a maior taxa desde março de 2022, quando o IPCA subiu 1,62%.
No entanto, a história econômica – do Brasil e do mundo – demonstra que juros altos não são solução para inflação. Na prática, o efeito é o oposto:
- O custo do crédito sobe, reduzindo o consumo das famílias e os investimentos das empresas.
- Setores produtivos sofrem, travando o crescimento econômico.
- O desemprego tende a aumentar, piorando a situação social.
A solução não está no arrocho econômico, mas sim no estímulo ao consumo e ao crédito, garantindo que o dinheiro circule na economia.
Aterrorizar a sociedade como o medo da suposta hiperinflação não passa de uma chantagem da especulação financeira, realizada pela velha mídia, que tem interesses e propriedades cruzados com banqueiros.
A evolução da Selic e as projeções para 2026
Nos últimos meses, a taxa Selic tem mostrado oscilações significativas. Veja a evolução recente:
- Dezembro de 2024: 12,25% ao ano.
- Janeiro de 2025: aumento para 13,25%.
- Março de 2025: especula-se um novo salto para 14,25%.
As previsões indicam que a taxa de juros básica pode se manter elevada ao longo de 2025, com uma possível “redução” apenas em 2026, quando a projeção aponta 12,5% ao ano. Mesmo que aponte uma curva para baixo, esse índice ainda continuaria pornográfico para o mundo real das pessoas.
O que esperar da decisão do Copom?
O próximo encontro do Copom será um teste para o governo e para o mercado. Enquanto o setor financeiro pressiona por juros altos para manter seus lucros, o setor produtivo pede uma política monetária que permita crescimento e geração de empregos.
O Brasil continuará refém da especulação ou dará um passo em direção ao desenvolvimento econômico real? A decisão está nas mãos do Copom – mas as consequências cairão no bolso da população.
Se houver uma decisão política do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que indiciou a maioria do Copom, presidido pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, certamente poder-se-ia reduzir as taxas de juros Selic já na próxima reunião.
E você, leitor, o que pensa? A Selic deve continuar subindo ou chegou a hora de reduzir os juros? Deixe sua opinião nos comentários!
Leia também no Blog do Esmael: Taxa Selic mantida em 15% e Fed resiste a Trump; Gleisi Hoffmann pede a saída de Roberto Campos Neto da presidência do Banco Central durante ato político no Rio de Janeiro; Velha mídia intriga Lula e Haddad na conspiração para manter presidente do Banco Central e altas taxas de juros

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




