A comissão especial da Câmara dos Deputados discute e pode votar nesta quarta-feira (27) o parecer da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1. A reunião virou teste político para governo, Centrão, PL e bancada do Paraná, porque a proposta mexe na jornada de milhões de trabalhadores do comércio e dos serviços.
O parecer do relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte de salário, e garante dois dias de descanso por semana. Um deles deve ser preferencialmente aos domingos.
A reunião aparece na Câmara como “discussão e votação do parecer do relator”. O texto foi apresentado na segunda-feira (25), mas um pedido de vista coletivo adiou a votação para esta quarta-feira (27).
Se passar na comissão, a PEC segue para o Plenário da Câmara. Depois, ainda precisa ser analisada pelo Senado Federal. Não há, portanto, mudança imediata na rotina dos trabalhadores antes da conclusão da tramitação no Congresso Nacional.
O ponto mais sensível é a transição. O acordo costurado pelo presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), prevê que o fim da escala 6×1 comece 60 dias depois da promulgação da emenda. Nesse mesmo prazo, a jornada cairia de 44 para 42 horas semanais.
A redução para 40 horas semanais viria depois de 12 meses. Esse desenho tenta entregar uma vitória rápida aos trabalhadores sem ignorar a reorganização de escalas em supermercados, farmácias, shoppings, restaurantes, vigilância, telemarketing e transporte.
O Centrão tenta mexer nesse ponto. Partidos do bloco apresentaram destaques para retirar a regra de transição de 60 dias e alterar partes do texto. A disputa revela o conflito real da PEC: quem aceita o fim da 6×1 agora, quem quer alongar prazo e quem tenta aparecer a favor do trabalhador sem assumir o custo político da votação.
O PL entrou nessa disputa de cabeça. Depois de desgaste com emendas que previam transição de até dez anos, a legenda passou a defender a escala 4×3 e a redução da jornada para 40 horas sem transição. A guinada tem cheiro de cálculo eleitoral, porque 2026 já entrou no plenário antes mesmo da campanha começar.
Durante a reunião, o deputado Gilson Marques (Novo-SC) criticou a mudança e afirmou que pequenos negócios poderiam repassar custos para preços ou reduzir empregos. A fala traduz a linha patronal contra a PEC: jornada menor, segundo esse campo, exigiria contratação, reorganização e aumento de custo.
Do outro lado, defensores da proposta afirmam que a escala 6×1 adoece trabalhadores e impede convívio familiar. A deputada Erika Hilton (PSOL-SP), autora da PEC 8/2025, que também trata da redução da jornada, cobrou a votação e atacou o que chamou de manobra dos opositores para atrasar a pauta.
No Paraná, a votação interessa diretamente a trabalhadores do comércio de Curitiba, Região Metropolitana, litoral e cidades médias do interior. A escala 6×1 é comum em mercados, farmácias, shopping centers, restaurantes, bares, hotéis, portarias, vigilância e teleatendimento.
A bancada paranaense terá dificuldade para tratar o tema como detalhe técnico. O voto sobre jornada de trabalho chega ao eleitor de forma simples: quem trabalha seis dias para folgar um quer saber quem vota por dois dias de descanso e quem tenta adiar a mudança.
A PEC ainda pode sofrer mudanças na comissão, no Plenário da Câmara e no Senado. Esse é o limite factual da notícia. A votação desta quarta-feira (27) não encerra a disputa, mas define quem vai carregar o custo político de tentar manter a escala 6×1.
A escala 6×1 virou uma das pautas mais populares do mundo do trabalho porque traduz, em linguagem direta, a briga por tempo, renda e dignidade. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




