PL tenta escapar da 6x1 com bandeira da 4x3
Início / eleições 2026

PL tenta escapar da 6×1 com bandeira da 4×3

O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), colocou nesta quarta-feira (27) a escala 4×3 no centro da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, em uma tentativa de deslocar o desgaste da oposição na pauta do fim da escala 6×1 antes que o tema pese nas eleições de 2026.

A manobra tem endereço político claro. Depois de parlamentares do PL e do Centrão assinarem emendas que previam transição longa e exceções para setores econômicos, a legenda passou a defender um modelo mais ousado do que o acordo costurado pelo governo Lula (PT) e pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

O parecer do relator Leo Prates (Republicanos-BA) prevê jornada de 40 horas semanais, dois dias de descanso e manutenção do salário. Pela proposta, a mudança começaria 60 dias após a promulgação da emenda, com redução de 44 para 42 horas semanais, e chegaria a 40 horas depois de mais 12 meses.

O PL quer outra foto. A legenda anunciou destaque para votar a escala 4×3, com quatro dias de trabalho e três de descanso, sem período de transição. A leitura política é simples: quem passou dias criticando o fim da 6×1 tenta aparecer agora como defensor de uma redução maior.

A disputa saiu do campo técnico e entrou no terreno eleitoral. Para comerciários, trabalhadores de mercado, farmácia, shopping, telemarketing, vigilância e restaurantes, a diferença entre 6×1, 5×2 e 4×3 define descanso, cuidado com filhos, saúde e tempo de vida. Para empresários, muda custo de escala, contratação, hora extra e reorganização de turnos.

O Centrão abriu outra frente. Partidos do bloco tentam derrubar a regra de 60 dias prevista no parecer de Prates. Na prática, a briga é sobre quando o trabalhador deixará de ter apenas uma folga semanal e quanto tempo os setores econômicos terão para adaptar lojas, supermercados, serviços contínuos e contratos terceirizados.

A pauta atinge o Paraná de forma direta. O estado tem forte presença de comércio, supermercados, shoppings, farmácias, restaurantes, logística, vigilância e agroindústrias, setores em que escalas de fim de semana organizam a vida de milhares de famílias trabalhadoras.

O dado que pesa sobre a bancada paranaense é anterior, mas continua politicamente vivo. Levantamento do Blog do Esmael apontou que 15 dos 30 deputados federais do estado assinaram emenda para adiar o fim da escala 6×1 por dez anos. A lista inclui Beto Richa (PSDB), Dilceu Sperafico (PP), Felipe Francischini (Podemos), Geraldo Mendes (União Brasil), Luisa Canziani (União Brasil), Luiz Carlos Hauly (Podemos), Luiz Nishimori (PSD), Padovani (PP), Paulo Litro (União Brasil), Pedro Lupion (Republicanos), Sargento Fahur (PL), Sergio Souza (MDB), Tião Medeiros (PP), Toninho Wandscheer (PP) e Vermelho (PL).

É aí que o movimento do PL cobra coerência dos seus próprios deputados no Paraná. Se a legenda agora diz defender a 4×3, Sargento Fahur e Vermelho terão de explicar se acompanham o destaque do partido ou se mantêm a linha da transição longa defendida na emenda anterior.

A esquerda também fica diante de uma escolha incômoda. O governo apoia o texto de 40 horas e dois dias de descanso, mas resiste à aplicação imediata da jornada de 36 horas por considerar a mudança brusca para parte da economia. O PL tenta transformar essa resistência em munição contra Lula e contra partidos que defenderam o fim da escala 6×1 nas redes.

A votação nominal, se ocorrer, será mais importante do que o discurso. Ela mostrará quem defende 4×3, quem fica com o acordo de 5×2, quem tenta alongar a transição e quem prefere deixar a própria posição escondida em destaque, requerimento ou ausência.

O eleitor paranaense terá uma régua simples para acompanhar a disputa. Não basta dizer que é contra a 6×1. Será preciso votar sobre prazo, modelo de jornada, exceções, compensações a empresas e regras para setores que funcionam aos domingos.

A tentativa do PL de trocar desgaste por protagonismo recoloca a escala 6×1 no centro da eleição de 2026. O voto de cada deputado dirá mais que o post, o vídeo ou o discurso de plenário.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

Siga o Blog do Esmael no WhatsApp

*Requer WhatsApp atualizado. Se não abrir, atualize o app.