Pequim afirmou que se opõe “firmemente” às tentativas de políticos dos Estados Unidos de interferir nas relações entre a China e países da América Central, classificando as críticas como ideológicas e marcadas por mentalidade de Guerra Fria.
O recado foi dado pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, em coletiva oficial. Segundo ele, as interações de Pequim com governos centro-americanos são “normais”, baseadas em respeito mútuo, igualdade e benefícios recíprocos, e não aceitam tutela externa.
A declaração ocorre após a visita de uma delegação do Congresso dos EUA à região, liderada por John Moolenaar, deputado republicano e presidente do Comitê Especial da Câmara sobre a China. Parlamentares americanos passaram a acusar Pequim de “coerção” e “interferência” na América Central, especialmente em áreas estratégicas como infraestrutura, comércio e logística.
Guo rebateu. Disse que as acusações são “falácias absolutas” e refletem apenas o viés ideológico de Washington. Para o governo chinês, a cooperação com países centro-americanos tem produzido ganhos concretos para as populações locais, sendo bem recebida pelos governos da região.
O porta-voz também criticou a tentativa dos EUA de transformar a América Central em palco da disputa geopolítica entre grandes potências. Segundo ele, cabe a cada país escolher livremente seus parceiros, sem pressões externas ou alinhamentos forçados.
A resposta chinesa amplia o atrito diplomático entre Pequim e Washington no hemisfério ocidental. Desde a divulgação da nova estratégia de segurança nacional dos EUA, o governo americano intensificou ações políticas e diplomáticas na região para conter a presença chinesa.
Para a China, esse movimento reedita práticas do passado. Guo afirmou que os EUA deveriam abandonar a lógica da Guerra Fria e contribuir para o desenvolvimento regional, em vez de “manipular a questão chinesa” para fins políticos internos.
A disputa pela América Central deixou de ser uma guerra de bastidor. O tom adotado por Pequim indica que a China não aceitará mais a atuação dos EUA como árbitro exclusivo da região. O confronto geopolítico avança, agora com a soberania dos países centro-americanos no centro do debate.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




