O avanço de chatbots de direita nos Estados Unidos intensifica a guerra política e cultural no país, com sistemas ideológicos disputando narrativa e confundindo o que é fato e o que é propaganda. Plataformas como Arya e Enoch desafiam robôs tradicionais, apresentando-se como alternativa ao “viés liberal”, enquanto reforçam teorias conspiratórias e discursos supremacistas.
A novidade surge na era Donald Trump, presidente republicano desde janeiro de 2025, e encontra terreno fértil em uma sociedade polarizada e desconfiada de instituições. O Grok, chatbot integrado ao X de Elon Musk, também passou a se vender como “buscador máximo da verdade”, mas já amplificou desinformação em episódios recentes.
Pesquisadores ouvidos pelo New York Times alertam para treino explícito de sistemas alinhados à extrema direita, que rejeitam termos como “racismo” ou “antissemitismo” por considerá-los instrumentos de “censura ideológica”. Um roteiro interno de mais de 2 mil palavras orienta Arya a defender “etnonacionalismo” e obedecer prontamente a qualquer pedido, inclusive conteúdo discriminatório.
Mesmo gigantes como OpenAI e Google, que tentam limitar vieses e manter neutralidade, enfrentam críticas de conservadores e disputas judiciais sobre conteúdo e direitos autorais. A disputa tecnológica já afeta o debate público: em testes do jornal, robôs divergiram sobre violência política, com bots tradicionais citando dados de maior letalidade na extrema direita e sistemas radicais acusando a esquerda de “destruição”.
Especialistas alertam que a naturalidade das respostas e o tom de autoridade podem transformar opinião em “verdade de robô”. A confiança cega no algoritmo abre espaço para manipulação eleitoral, perseguição política e desinformação em escala industrial.
A ameaça também atravessa o Brasil, onde o debate sobre regulação de IA esbarra em interesses econômicos e pressões políticas de grupos negacionistas e ultranacionalistas, que buscam repetir o modelo americano de guerra cultural digital.
Sem transparência e normas públicas, a inteligência artificial deixa de ser bem comum e vira máquina de doutrinação. Democracia precisa de fatos, jornalismo e ciência, não de códigos armados para o ódio.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




