O deputado estadual Renato Freitas (PT) enfrenta cinco pedidos de cassação na Assembleia Legislativa do Paraná. Nos corredores, cresce a comparação com a pizza de 54 pedaços, referência aos 54 deputados da ALEP. Parlamentares avaliam que a repetição do roteiro que, anos atrás, o transformou de alvo na Câmara de Curitiba em fenômeno eleitoral é cada vez mais possível.
O caso deve dominar a semana legislativa, segundo deputados ouvidos pelo Blog do Esmael.
Os pedidos surgiram após a circulação do vídeo da briga no Centro de Curitiba na última quarta, dia 19, véspera do feriado da Consciência Negra.
A primeira versão, editada, associava Freitas ao início do confronto. Horas depois, o vídeo completo mostrou que ele reagia a uma agressão, o que mobilizou solidariedade de lideranças como a ministra Gleisi Hoffmann e o presidente nacional do PT, Edinho Silva.
No entanto, um terceiro vídeo apresentado por representantes da direita, extraído de câmeras de monitoramento da região central, reacendeu o debate sobre a cassação. Eles alegam que as novas imagens justificariam a continuidade do processo disciplinar, embora aliados de Freitas afirmem que o material não altera o entendimento já consolidado sobre a agressão inicial.
Mesmo com a disputa sobre as versões, parlamentares afirmam que o Conselho de Ética deve apresentar recomendação pela cassação. Eles avaliam que setores da direita tentam transformar o episódio em ativo eleitoral para 2026, ano em que Freitas é pré-candidato a deputado federal.
Outros deputados, porém, enxergam um desfecho diferente. Eles citam o recesso da ALEP, a lentidão dos prazos no devido processo legal e o ambiente pré-eleitoral como fatores que podem travar a tramitação. A avaliação interna é de que falta disposição para assumir desgaste político tão perto das convenções partidárias.
Esse conjunto de variáveis reforça a metáfora da pizza de 54 pedaços. A expressão é usada para processos que começam ruidosos, mas se acomodam na dinâmica interna da Casa. O histórico pesa. A tentativa de cassação na Câmara de Curitiba, que não prosperou, impulsionou Freitas à Assembleia.
O deputado chega a este novo episódio em alta visibilidade. O debate racial reacendido no Paraná e a repercussão do vídeo manipulado ampliaram sua presença pública. Adversários admitem, em reservado, que o processo pode, mais uma vez, fortalecer sua projeção eleitoral, mas eles também podem “lacrar” com o caso.
A disputa extrapola o campo disciplinar. Apoiadores do deputado do PT avaliam que ela se tornou mais um capítulo da tensão identitária entre setores da direita e a atuação de Freitas, cuja presença incomoda estruturas políticas tradicionais do estado.
Nos bastidores, cresce a leitura de que o processo tende a seguir o caminho clássico da política paranaense, onde o cálculo eleitoral dita ritmo e resultado. Daí a aposta crescente na megapizza de 54 pedaços como desfecho provável.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




