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Caso Evandro: decisão do TJPR pode anular processo após evidências de tortura emergirem de áudios

Desembargadores da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) tomaram uma decisão de peso no caso Evandro Ramos Caetano, o Caso Evandro, na quinta-feira, dia 24 de agosto de 2023.

O tribunal autorizou o uso de gravações que indicam indícios de tortura contra réus como provas na revisão criminal do caso.

Essa reviravolta coloca em xeque a validade do processo, podendo levar à anulação do julgamento original.

O caso, que chocou o país em 1992, trata do desaparecimento e assassinato do menino Evandro Ramos Caetano, de seis anos, na cidade de Guaratuba, litoral do Paraná.

O desenrolar do processo culminou na condenação de quatro pessoas: Beatriz Abagge, Osvaldo Marcineiro, Davi dos Santos Soares e Vicente de Paula.

No entanto, as recentes evidências trazidas à tona nas gravações indicam que as confissões dos réus foram obtidas mediante tortura e coerção.

Os áudios, encontrados em minifitas cassetes pelo jornalista Ivan Mizanzuk e apresentados em uma série documental da Globoplay baseada no podcast Projeto Humanos, mostram diálogos que indicam claramente a participação de agentes policiais nas confissões dos réus e instruções sobre como proceder durante os depoimentos.

O advogado Antônio Augusto Figueiredo Basto, responsável pelo pedido de revisão criminal, destacou que a decisão pode ter um impacto significativo, possivelmente levando à anulação de todo o processo.

A controvérsia ganhou ainda mais destaque quando o Governo do Paraná se recusou a comentar sobre a decisão da quinta-feira.

O julgamento da revisão criminal foi agendado para 14 de setembro na 1ª Câmara Criminal do TJPR.

Nesse dia, os desembargadores irão avaliar o mérito das novas provas e determinar como elas afetarão o processo original.

A decisão de autorizar o uso dos áudios foi tomada por três votos a dois, ressaltando a divisão de opiniões sobre o tema.

Entre os áudios divulgados, as confissões dos quatro réus — Beatriz Abagge, Osvaldo Marcineiro, Davi dos Santos Soares e Vicente de Paula — revelam o cenário de coerção sob o qual foram obtidas.

A perícia contratada pela defesa identificou falas e sons que indicam agressões físicas e verbais durante os depoimentos.

O Caso Evandro passou por diversos julgamentos e reviravoltas desde 1992.

O mais longo tribunal do júri da história brasileira, com duração de 34 dias, faz parte desse complexo enredo.

O caso levou a acusações de que Beatriz e Celina Abagge teriam encomendado o assassinato do menino em um ritual, embora as acusações tenham sido posteriormente derrubadas devido à falta de provas conclusivas.

O andamento do processo e a possível anulação do caso estão sob os olhares atentos da sociedade, à medida que a justiça busca esclarecer a verdade sobre um dos casos mais emblemáticos da história criminal do Brasil.

O desfecho desse processo revisado pode alterar significativamente o entendimento da justiça sobre os acontecimentos ocorridos naquele fatídico abril de 1992 em Guaratuba.

Casos Evandro, Escola Base e Lula [preso ilegalmente] pedem controle social sobre polícia, Ministério Público, Judiciário e sobre a velha mídia corporativa.

O Blog do Esmael segue acompanhando o Caso Evandro.

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