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Vitória, Floripa e São Paulo lideram ranking das capitais mais ricas do Brasil

Enquanto a maioria dos brasileiros lida com inflação, precarização e empregos instáveis, um pequeno grupo permanece blindado no topo da pirâmide. Dados recentes do IBGE, divulgados nesta segunda (26), revelam que a elite econômica continua fortemente concentrada em algumas capitais, mesmo com o aumento geral da renda do trabalho entre 2020 e 2023.

Segundo o levantamento, Vitória (ES) lidera o ranking das capitais com maior proporção de população na chamada classe A — ou seja, pessoas com renda domiciliar per capita superior a R$ 6.406, valor que se traduz em ganhos mensais acima dos R$ 25 mil por família. Lá, 8,8% dos moradores estão nesse grupo privilegiado. Na sequência aparecem Florianópolis (7,5%), São Paulo (6,8%), Curitiba (6,5%) e Porto Alegre (6,3%).

Também estão no topo Brasília (6,2%), Belo Horizonte (5,3%) e Goiânia (5,2%). Em comum, essas cidades concentram políticas públicas mais robustas, mercados imobiliários aquecidos e presença intensa de servidores, empresários e profissionais liberais com altos salários.

A chamada “nova classe alta” continua sendo um fenômeno restrito a centros urbanos do Sudeste e Sul, segundo o IBGE, apesar do crescimento da renda média nacional. Em 2023, o rendimento médio mensal domiciliar per capita atingiu R$ 1.848 — um recorde histórico — com aumento de 11,5% em relação ao ano anterior. Ainda assim, a desigualdade segue gritante: o 1% mais rico ganha, em média, 39 vezes mais que os 40% mais pobres.

Mesmo com o índice de Gini em 0,518 — o menor da série —, o Brasil continua entre os países mais desiguais do planeta. A renda até sobe, mas sobe mais para quem já está no alto.

Por trás dessa concentração, estão heranças coloniais, um sistema tributário regressivo e a ausência de uma política fiscal que redistribua de forma justa. A elite se beneficia de isenções, lucros e dividendos não taxados, enquanto a maioria sustenta o Estado pagando proporcionalmente mais em impostos sobre consumo.

A análise desses dados mostra que o “Brasil real” ainda está longe de ser um país de oportunidades iguais. As classes dominantes seguem confortavelmente instaladas nos centros urbanos mais ricos, enquanto as periferias — geográficas e sociais — continuam sendo empurradas para fora do debate econômico.

Portanto, a democracia não se sustenta onde há abismos sociais tão evidentes. É hora de discutir uma reforma tributária progressiva, taxação das grandes fortunas e um novo pacto federativo que reduza a desigualdade entre as regiões. O topo da pirâmide pode ser admirável para poucos, mas é insustentável para o todo.

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A pirâmide social no Brasil, segundo o IBGE

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